30.4.08
29.4.08
só agora reparei nas semelhanças
andy williams, music to watch the girls go by
mexican institute of sound, mirando las muchachas
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líquenes I
Algures,
no lugar
mais frio
da memória,
mas
nítido
como um centímetro
quadrado de neve
que pede
a própria luz
à algidez interior,
surge
a paisagem
de líquenes,
líquenes II
o lento trabalho
da metamorfose
entre a alga
e a campânula
venenosa
do míscaro
[protosponja
que se embebe
nas grutas,
na sombra ácida],
o sono
criptogâmico
incapaz de sonhar
a forma duma flor
líquenes III
mesmo
sobre a nitidez
vitrificada tão
intensamente
pela memória
que parece provir
da infra-infância
o súbito
centímetro quadrado
de neve e luz
onde os líquenes surgem
agora
monomicro-
criptomaníacos,
líquenes IV
meticulosos
na humidade
que fabricam
di
luin
do-se nela,
e ela
por sua vez
segrega-os
devagar
em cada
exalação
[sempre mais
do que eram]
líquenes V
tão semelhante
na escala
deste livro
a respiração
minuciosa
do lodo
produzindo
não flores
mais lodo,
sono também
sem sonho
alastrando
na transparência
da água:
líquenes VI
assim
se cumpre
o eclipse
gradual
sobre o centímetro
quadrado que
os líquenes
cobrem
na memória,
assim
a luz e a neve
se ocultam
pouco a pouco, assim
se esquece.
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28.4.08

Dentro da curva inesperada
dos meus braços,
transbordam os gestos
numa espiral imperceptível.
Nas pontas dos meus dedos
se alonga a neblina
que deriva do inverso da loucura
quando prendo nos dentes
a superstição da lua
ou esboço no riso
a cumplicidade dos espelhos
timidamente transparentes
para dizer que só pelo silêncio
se vence o labirinto das palavras
e se mede a solidão.
Graça Pires
Imagem: pindur
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27.4.08
humpft 
eu ainda não acredito que amanhã não vem sol. eu ainda não acredito que amanhã não vem sol. eu ainda não acredito que amanhã não vem sol. eu ainda não acredito que amanhã não vem sol. eu ainda não acredito que amanhã não vem sol. eu ainda não acredito que amanhã não vem sol. eu ainda não acredito que amanhã não vem sol. eu ainda não acredito que amanhã não vem sol. eu ainda não acredito que amanhã não vem sol. eu ainda não acredito que amanhã não vem sol. eu ainda não acredito que amanhã não vem sol. eu ainda não acredito que amanhã não vem sol. eu ainda não acredito que amanhã não vem sol. eu ainda não acredito que amanhã não vem sol. eu ainda não acredito que amanhã não vem sol. eu ainda não acredito que amanhã não vem sol.
(e no entanto, os grilos lá fora cantam. a minha mãe diz que é sinal de calor.)
Imagem: Laura Vancane
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Imagine all the girls,
Ah ah, ah, ah, ah, ah, ah, ah.
And the boys,
Ah ah, ah, ah, ah, ah, ah, ah.
And the strings,
Eee, eee, eee, eee, eee, eee, eee, eee.
And the drums, the drums, the drums, the drums...
The Ting Tings, Great DJ
Imagem: sunnyou
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23.4.08
bom dia* 
This is why I always wonder
I'm a pond full of regrets
I always try to not remember rather than forget
This is why I always whisper
When vagabonds are passing by
I tend to keep myself away from their goodbyes
Tide will rise and fall along the bay
and I'm not going anywhere
I'm not going anywhere
People come and go and walk away
but I'm not going anywhere
I'm not going anywhere
This is why I always whisper
I'm a river with a spell
I like to hear but not to listen,
I like to say but not to tell
This is why I always wonder
There's nothing new under the sun
I won't go anywhere so give my love to everyone
Tide will rise and fall along the bay
and I'm not going anywhere
I'm not going anywhere
People come and go and walk away
but I'm not going anywhere
I'm not going anywhere
Keren Ann, Not going anywhere
Imagem: laura vancane
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o que fizeram à menina linda?
(acho que se pode ajudar, mas eu digo, sempre preferia dar umas lambadas a quem fez isso. aqui fica o meu protesto. humpft.)
Imagem: waif girl
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22.4.08
ó ana, se andassemos por aí a assaltar bancos seríamos mais ou menos (mais para o mais) assim:
(constatei ontem)
Woody Allen, Take the money and run (1969)
Bank Teller: Does this look like "gub" or "gun"?
Bank Teller: Gun. See? But what does "abt" mean?
Virgil: It's "act". A-C-T. Act natural. Please put fifty thousand dollars into this bag and act natural.
Bank Teller: Oh, I see. This is a holdup?
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(e por falar em migalhas)
here she comes
walking down the street
i walk in a room, you know i look so proud *
(se repararem bem, ela pôs-me a lingua de fora, já não há respeito)
* Patti Smith, Gloria
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isto é um vício novo dia sim dia sim.
esta mulher deixa-me o coração em migalhinhas.

Emily Barker, On a train (Photos. Fires. Fables. 2008)
ver e ouvir mais aqui e aqui.
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menina tóxica
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Algo se me assemelha
e me quer para si
me desembainha
quando menos espero
Distorção do espírito
para a morte
como o corpo num salto
irremediavelmente
lento
e
alto
Luiza Neto Jorge
Imagem: VeraAda
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18.4.08
Up in the air
Up there, up there, in the air
Margaret Atwood, Moral Disorder
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15.4.08
espero que o céu fique bem cinzento hoje*
Scarecrows dressed in the latest styles
With frozen faces to keep love away
Imagem: smokedval
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a verdadeira banana queen
qual deadline? hum.
hey, my life is okay!...
imagem: karolkie
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14.4.08
pretexto
Porque não cai a noite, de uma vez?
- Custa viver assim aos encontrões!
Já sei de cor os passos que me cercam,
o silêncio que pede pelas ruas,
e o desenho de todos os portões.
Por que não cai a noite, de uma vez?
- Irritam-me estas horas penduradas
como frutos maduros que não tombam.
(E dentro em mim, ninguém vem desfazer
o novelo das tardes enroladas.)
Maria Alberta Menéres
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13.4.08

Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
Elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
Respirei – ó vida simples problema de respiração
Oh as casas as casas as casas
Ruy Belo
Imagem: sexties
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