26.6.08

(vontade de provar cuscuz)








La graine et le mulet, Abdel Kechiche (2007)

beck & cat power

aqui

não há coração que aguente!

25.6.08



A arte já sabemos nasce
da imperfeição das coisas
que trazemos para casa
com o pó da rua
quando a tarde finda
e não temos água quente
para lavar a cabeça.
Tentamos regular
com açudes de orações
o curso da tristeza
mudamos de cadeira
e levamos a noite
a dizer oxalá
como se a palavra
praticasse anestesia.

José Miguel Silva

Imagem: cryptorchid





What I'm searching for
to tell it straight, I'm trying to build a wall

Walking by myself
down avenues that reek of time to kill

If you see me keep going
be a pass by waver
Build me up, bring me down
just leave me out you name dropper
Stop trying to catch my eye
I see you good you forced faker
Just make it easy
You're my enemy you fast talker

I can say I hope it will be worth what I give up
If I could stand up mean for the things that I believe


What am I here for
I left my home to disappear is all
I'm here for myself
Not to know you
I don't need no one else
Fit in so good the hope is that you cannot see me later
You don't know me
I am an introvert an excavator
I'm duckin' out for now
a face in dodgy elevators
Creep up and suddenly
I found myself
an innovator

Change, change, change,
I want to get up out of my skin
tell you what
if I can shake it
I'm 'a make this
something worth dreaming of


Santogold, Les Artistes
Imagem: *unda

(e é mais ou menos assim que se dança esta coisa mais linda: aqui)

eu já disse que queria este vestido para mim?

23.6.08

modern guilt

coming beck.

Beck, Modern Guilt, L.A. 9 jun 08
Beck, Amazon video



O que está escrito no mundo está escrito de lado
a lado do corpo - e tu, pura alucinação da memória,
entra no meu coração como um braço vivo: o dia traz as paisagens de dentro delas, a noite é um grande
buraco selvagem -

(...)

como pelas artérias se cose
o coração
aos pedaços de carne, entre orifícios
negros, ressacas
fulgurantes, o corpo aberto com o centro estancado na terra.

Heberto Helder
Imagem: CouldIBeInsane



Little Dragon, Twice

17.6.08



Debaixo do colchão tenho guardado
o coração mais limpo desta terra

como um peixe lavado pela água
da chuva que me alaga interiormente
Acordo cada dia com um corpo
que não aquele com que me deitei

e nunca sei ao certo se sou hoje
o projecto ou memória do que fui
Abraço os braços fortes mas exactos
que à noite me levaram onde estou
e, bebendo café, leio nas folhas
das árvores do parque o tempo que fará
Depois irei ali além das pontes
vender, comprar, trocar, a vida toda acesa;
mas com cuidado, para não ferir
as minhas mãos astutas de princesa.

António Franco Alexandre

Imagem: floydianwaves

16.6.08

a mi em acção





Como é que esta menina se lembra de trepar para cima do pessegueiro, grávida (não, gravidíssima!) e ainda por cima sem cauda (acabadinha de curar)?




The Do, Tammie (A Mouthful, 2008)

(estes dois salvaram esta tarde de chuva miudinha)



Entre morrente
e garras como flechas,
hesita-se de espanto:

sem saber da razão
do renascer

Que o azul lhe foi todo,
e estrelas: largas,
e um bolso cheio de amor
pela clareira
Agora:
só savana
em estado liso

Reconverter as coisas:
sonhar essas estrelas
em plêiade
de vento
– e recordar

Há feridas tão ferozes,
tão de nuvem rasante
em tempestade,
que a solução:
voraz

Depois disso, o que resta:
montículo de areia
ou fio de pedra

(a fingir-se de luz)

Ana Luísa Amaral

Imagem: yooanna

15.6.08

Let this groove, get you to move,
it's alright, alright
let this groove, set in your shoes,
stand up, alright





Rio en Medio, Let's Groove

Imagem: Jon Efe

It's all about the ladies



sou uma menina e moça, cachopa e gaija!
obrigada meninas :)



agora tenho de me preparar para a missão de intoxicar todas as cachopas.
até já*

11.6.08



Sempre um de nós
foge. Sombria água
trépida e contínua
água em céu diverso
como diversa eu sou
chão sem flor.

Vã palavra, múltipla
palavra, longínqua
semente entre o arco
e a corda. Nada sara
em meu cego corpo
eu que imagem sou,
não alegoria.

Tremor antigo, árvore
sem fruto, nada resiste
nesta cidade sem casa
- só a garça chega em seu
liso voo porque o tempo
nunca é longo.

Ana Marques Gastão

Imagem: ingue

she's a sea lion woman



Feist, Sealion

Eu não preciso dizer mais nada.
Está aqui tudo dito :)
Só que adorei a 1ª parte dos Lawrence Arabia.

Imagem: angela linda da luz acesa*

10.6.08



até amanhã.

Feist, 1234

9.6.08



O corpo tem abóbadas onde soam os
sentidos, se tocados de leve, ecoando longamente
como memórias de outra vida
em frios desertos ou praias de lama.
O passado não está ainda preparado para nós,
para não falar do futuro
; é certo que
temos um corpo, mas é um corpo inerte,
feito mais de coisas como esperança e desejo
do que de carne, sangue, cabelo,
e desabitado de línguas e de astros
e de noites escuras, e nenhuma beleza o tortura
mas a morte, a dor e a certeza de que
não está aqui nem tem para onde ir.

Lemos de mais e escrevemos de mais,
e afastámo-nos de mais – pois o preço era
muito alto para o que podíamos pagar –
da alegria das línguas. Ficaram estreitas
passagens entre frio e calor
e entre certo e errado
por onde entramos como num quarto de pensão
com um nome suposto; e quanto a
tragédia, e mesmo quanto a drama moral,
foi o melhor que conseguimos.

A beleza do corpo amado é
(agora sabemo-lo) lixo orgânico.
O mármore que pudemos foi o das casas de banho
e o dos balcões dos bancos,
e grandes gestos nem nos romances,
quanto mais nos versos! E do amor
melhor é nem falar porque as línguas
tornaram-se objecto de estudo médico

e nenhuma palavra é já suficientemente secreta.

Corpo, corpo, porque me abandonaste?
“Tomai, comei”, pois sim, mas quando
a química não chega para adormecermos,
a que divindades havemos de nos acolher
senão àquelas últimas do passado soterradas
sob tanta chuva ácida e tanta investigação histórica,
tanta psicologia e tanta antropologia?
A memória, sem o corpo, não é ascensão nem recomeço,
e, sem ela, o corpo é incapaz de nudez
e de amor.
Agora podemos calar-nos
sem temer o silêncio nem a culpa
porque já não há tais palavras.

Manuel António Pina
Imagem: 1000ships

Have you ever thought about what protects our hearts?



Just a cage of rib bones and other various parts.
So it's fairly simple to cut right through the mess,
And to stop the muscle that makes us confess.

And we are so fragile,
And our cracking bones make noise,
And we are just,
Breakable, breakable, breakable girls and boys.

Ingrid Michaelson, Breakable



6.6.08



Borboletas
sonâmbulas
do desejo
- as minhas

tuas mãos.

Albano Martins

Imagem: rooze

3.6.08




(impossível parar de ouvir)

Imagem: Linus Ricard



Um raio de luz lançou toda a doçura
num sono. Quem o dormiu antes do tempo?

Ingeborg Bachmann
Imagem: cellointhbasemnt



Desligada
O vento morde meus cabelos sem medo:
Tenho todas as idades.

Olga Savary

Imagem: pufulete

2.6.08

Doing the the thing as she dreamed it







She was dancing so hard
She danced herself into a diamond
Dancing all by herself
Dancing all by herself
And not minding

Doing the the thing as she dreamed it
Doing the the thing as she dreamed it

Her skin was sky blue
Her skin was sky blue
Under the lights
Diamond dancer, diamond dancer

And the one thing on her mind was
The one thing on her mind was:
It's time I gave the world my light
It's time I gave the world my light
Starting tonight
Diamond dancer, diamond dancer

Bill Callahan, Diamond Dancer
Imagem: sabotazystka



Esta noite morri muitas vezes, à espera
de um sonho que viesse de repente
e às escuras dançasse com a minha alma
enquanto fosses tu a conduzir
o seu ritmo assombrado nas trevas do corpo,
toda a espiral das horas que se erguessem
no poço dos sentidos. Quem és tu,
promessa imaginária que me ensina
a decifrar as intenções do vento,
a música da chuva nas janelas
sob o frio de fevereiro? O amor
ofereceu-me o teu rosto absoluto,
projectou os teus olhos no meu céu
e segreda-me agora uma palavra:
o teu nome - essa última fala da última
estrela quase a morrer
pouco a pouco embebida no meu próprio sangue
e o meu sangue à procura do teu coração.

Fernando Pinto do Amaral

Imagem: brambura33

1.6.08

Do not play music through your mobile phone loudspeaker.
It doesn´t make you cool. It makes you fucking annoying.



não se pode perder isto.
(eu gostava era de uns avisos assim pelos comboios, autocarros e metros)



we fly balloons on this fuel called love
fairweather storms are all in your head


Foals, Balloons (Antidotes, 2008)

Imagem: shiek0r

30.5.08




(...)

É um caso de magia - apropriação sinistra, pela boca implacavelmente esfaimada, do coração que o enfrenta.

Herberto Hélder

Imagem: MultiCurious

cat power






Losing the star without a sky
Losing the reasons why
You're losing the calling that you've been faking
And i'm not kidding

It's damned if you don't and it's damned if you do
Be true 'cause they'll lock you up in a sad sad zoo
Oh hidy hidy hidy what cha tryin to prove
By hidy hidy hiding you're not worth a thing


Sew your fortunes on a string
And hold them up to light
Blue smoke will take
A very violent flight
And you will be changed
And everything
And you will be in a very sad sad zoo.

I once was lost but now i'm found was blind
But now I see you
How selfish of you to believe in the meaning of all the bad dreaming

Metal heart you're not hiding
Metal heart you're not worth a thing


Metal heart you're not hiding
Metal heart you're not worth a thing

Metal Heart

Rendi-me à dança deliciosa da Cat Power, à sua instabilidade em palco. Por mais que a critiquem, acho que é o que me faz gostar ainda mais dela. Por subir ao palco mesmo cheia de nervos, de medo, sei lá eu o que mais, que a faz parecer estar sempre prestes a desabar.
E sem dúvida alguma, adorei os Dirty Delta Blues, salvaram o concerto, e a Chan, parece-me.

29.5.08

invasão cefalopodiana
a verdadeira polva tóxica







Chiara Bautista (Milk aqui)

nota muito (muito) rápida

para quem não reparou a chan também derrapa, mas pelo palco fora. era vê-la a apanhar lanço, no meio daquelas suas danças deliciosas e a deslizar pelo meio do palco.
ela compreende-me, vá lá.

28.5.08

e hoje, espero bem que ela me salve o dia.
até amanhã.

I undressed you with my eyes i have
Maybe even raped you
In a dark and eerie corner of my mind
I tucked you there
And touched you in a dream last night
Pushed you aside when you entered
My thoughts at the wrong time*



Pelo menos ontem as CocoRosie salvaram a noite. Não era o concerto que eu estava à espera. E, no entanto, ainda não sei se gostei ou se gostei assim muito.

(Honey or Tar*)

como começar bem o dia

primeiro: sair de casa a correr. estacioar, sair do carro, escorregar e cair estatelada no chão. na lama, de preferência.

a melhor parte: estar um tipo a sair do carro e nem sequer ajudar. (mas quésta merda?)

e por fim: voltar para o carro e vir para casa. esta manhã já não vai lá.

(se calhar devia ficar em casa todo o dia e esperar pela cat. não vá cair de novo e ganhar algo mais do que uns hematomas)

23.5.08

Chaque pensée devrait rappeler la ruine d'un sourire.
Éloge de l'amour, Jean-Luc Godard, 2001

22.5.08



No centro da volúpia, como essência
e forma, como adorno,
contorno e cerne, é que o voo
se fixa, é que a ave
reside e o canto
mora
e morre.

Albano Martins
Imagem: tarcinrengi

People have the nerve to tell me that they’re lonely
You’re not lonely
I am baby



The Long Blondes, The Couples (Couples, 2008)

Imagem: MultiCurious

21.5.08

conselho muito importante: não comer cerejas em cima do teclado.

20.5.08



Esta dor não passa quando adormeço
chora ao pé de mim
irremediável

alguém nos toca no ombro e
damos por nós mais sozinhos


o meu lugar na morte
é junto à janela
logo atrás de ti

Mário Rui de Oliveira

Imagem: mrs pinkeyes

eu quero!





Suzanne Woolcott, aqui

Your head will collapse, but there's nothing in it.





Emmy the Great, Where is my mind? (Pixies)
Imagem: werqe

embora eu às vezes seja mais uma espécie de princesa Tonta:

Completamente zonza.
Faz coisas sem sentido. O seu reino é feito à sua imagem:

transtornado,
povoado de ingénuos chanfrados e
de lunáticos chalados.
Nada funciona como deveria, tudo está misturado ou invertido.

(...)

Caprichosa (princesa)



É impaciente e muito difícil.


A princesa caprichosa não fala, susurra; não tosse, tossica. Perante um bom prato, não toca em nada, faz cerimónia, e, quando muito, petisca um pouco.
É uma presumida.
Muito mimada, não hesita em pedir o impossível: neve em pleno Verão, sombra no deserto, mirtilos em janeiro.
O seu banho é alvo de todas as atenções e de todos os requintes: temperatura ideal, espuma perfumada, pétalas de rosa, leite de burra e champô de alperce.

Philippe Lechermeier e Rébecca Dautremer in Princesas Esquecidas ou Desconhecidas
Imagem: AnBystrowska


(eu e a minha irmã descobrimos que somos umas princesas um bocadinho chatas)

16.5.08

oh my god, i can't believe it, i've never been this far away from finishing a work!

(ler a cantar)



Vestido de cavalo e fina seda
e coberto de escamas luminosas
é como se tivesse uma outra idade
(a verdadeira) e o jovem corpo
capaz de atravessar muros e medo.
Inclinarias sobre a minha boca
um nome arrevezado com sabor
a terras estrangeiras visitadas
secretamente, em noite toda escura,
envolto, nu, em glória impermeável.
Vais-me dobrar em dois como se dobra
um dia que passou sem nada dentro,
o velho ardor de nuvens encardidas;
sem ver na minha voz como cantava
ao telefone a sombra da memória
do desejo que dói como um veneno.

António Franco Alexandre

Imagem: rooze

15.5.08

So give me coffee


Ou chove, ou sonho.

So cry, cry like a baby into an ocean of wishes




Ryan Adams, Starlite dinner

O tempo passa e eu arrasto o corpo descuidadamente pelos dias.
E entretanto, os dias arrastam-se descaradamente à minha frente.


Imagem: lightships

14.5.08



(...)

E que testemunha afinal o teu coração?
Entre ontem e amanhã balança,
silencioso e estranho,
e o seu bater
é já a sua queda para fora do tempo.


Ingborg Bachmann
Imagem: foret



Yaël Naïm, Toxic


(obrigada menino Afonso*)

agora o Gmail mete-se na minha vida e explica-me porque acabo sempre com deadlines, com esta funny quote of the day:

I love deadlines. I like the whooshing sound they make as they fly by.

Douglas Adams




afinal gosta-se delas.
posso matar o Gmail?

13.5.08

então, menina lebre, em 6 palavrinhas aqui vou eu:



catrapum roxo café preguiça cidade rabugice

agora é a vez delas:

ana
menina limão
menina a.g.
andreia
vanessa


e estas as são as regras:

"São-nos pedidas seis palavras para uma “muito curta” biografia (há quem opte por um conceito) e podemos dar-lhes ênfase com uma imagem. Devemos colocar um link para quem nos desafiou e por nossa vez desafiar cinco blogs, avisando-os deste mesmo convite."

Cabeça em ambulância



Há feridas cíclicas há violentos voos
dentro de câmaras de ar curvas
feridas que se pensam de noite
e rebentam pela manhã

ou que de noite se abrem
e pela amanhã são pensadas
com todos os pensamentos
que os órgãos são hábeis
em inventar como pensos

ligaduras capacetes
sacramentos
com que se prende a cabeça
quando ela se nos afasta

quando ela nos pressente
em síncope ou desnudamento
ou num erro mais espaçoso
ou numa letra mais muda
ou na sala de tortura
na sala escura, de infância.

Luiza Neto Jorge
Imagem: shiek0r

10.5.08

volto a repetir (a duas meninas) se este menino me cantar esta música assim:



eu já não sei o que vai ser de mim*