18.11.08
17.11.08
Once upon a time there was a fart
Lisa Swerling e Ralph Lazar (história aqui)
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23:56
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13.11.08

À noite vou por aí,
ociosamente.
Percorro um ritual lilás
feito de violetas de pedra
e traço cada pausa
no retorno da lua inicial.
Aqui a memória é lenta
como as angústias.
Muitas vezes vejo árvores
com frutos azuis,
ou animais em nudez perfeita
respirando o vento.
A escuridão é o subterfúgio
inesperado do coração
quando o olhar aquece
e o orvalho é de cetim.
Há máscaras de búzios e limos
na cara de quem passa.
Nas suas vozes ouço o itinerário
das manhãs siderais
e nasce nos meus passos
o rumo da via láctea.
Ninguém me conhece.
Venho do arco-íris
e trago nos dedos
o ângulo transparente da noite.
Graça Pires
Imagem: Noah Kalina
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8.11.08

Uma janela é suficiente
Uma janela para contemplar
Uma janela para escutar
Uma janela
parecida com o anel de um poço
a alcançar a terra na finitude do seu coração
abrindo para a vastidão desta bondade azul e repetitiva
uma janela limando as pequenas mãos da solidão
com a benevolência nocturna
do perfume de estrelas prodigiosas
janela de onde
é possível convocar o sol
para a alienação dos gerânios.
Uma janela ser-me-á suficiente.
Eu venho da terra das bonecas
de debaixo das sombras das árvores de papel
no jardim de um livro de desenhos
das estações secas das experiências incapazes na amizade e no amor
nas ruas sujas da inocência
dos anos das letras pálidas, crescendo, do alfabeto
atrás das mesas da escola tuberculosa
do minuto em que as crianças eram capazes de escrever pedra
no quadro
e os estorninhos eufóricos voavam abandonando
a velha árvore.
Eu venho do meio das raízes das plantas carnívoras
e o meu cérebro está ainda inundado
pelo guincho aterrorizado de uma borboleta
crucificada por alfinetes
num caderno.
Quando a minha confiança estava presa pelo frágil fio da justiça
e na cidade inteira
os corações das minhas lanternas eram feitos em bocados
quando os olhos infantis do meu amor
estavam a ser vendados com o lenço negro da Lei
e dos meus ansiosos templos do desejo
jorravam fontes de sangue
quando a minha vida se tornara nada
nada
senão o tique-taque de um relógio,
eu descobri
que tenho
tenho
tenho de amar,
loucamente.
Uma janela ser-me-á suficiente
uma janela para o momento da consciência
da observância
e do silêncio.
agora,
a pequena nogueira
cresceu tanto que é já capaz de explicar
o significado do muro
às suas jovens folhas.
Pergunta ao espelho
o nome do redentor.
Não estará a terra fremente debaixo dos teus pés mais só que tu?
Os profetas trouxeram a missão da destruição para o nosso século
não serão estas consecutivas explosões
e nuvens venenosas
a reverberação dos versículos sagrados?
Tu,
camarada,
irmão,
confidente,
quando chegares à lua
escreve a história dos massacres das flores.
Os sonhos precipitam-se sempre da sua altura ingénua
e morrem.
Cheiro o trevo de quatro folhas
que cresceu sobre o túmulo dos significados arcaicos.
Não seria a mulher
enterrada no sudário da expectativa e da inocência
a minha juventude?
Subirei a escadaria da curiosidade
para saudar o bom Deus que se passeia no telhado?
Sinto que o tempo passou
sinto que o momento é a minha parte das páginas da história
sinto que a mesa é uma distância fingida
entre as minhas madeixas
e as mãos deste triste estranho.
Diz-me
Que mais poderá querer de ti aquele que oferece a ternura de um corpo quente
senão a encarnação da sensação de existir?
Fala comigo
eu estou no refúgio da janela
eu tenho uma relação com o Sol.
Forugh Farrokhzad
Imagem: llimilea
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6.11.08
4.11.08
está para aqui uma polva a chorar como uma desalmada à conta disto
(mas ó deus das polvas, que é isto? assim não há condições)
Amber: I’m tired. I think its time to go to sleep.
Wilson: Stay a little longer.
Amber: We’re always going to want just a little longer.
Wilson: I don’t think I can do it.
Amber: It’s okay.
Wilson: It’s not okay. Why is it okay with you? Why aren’t you angry?
Amber: That’s not the last feeling.
House M.D.
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3.11.08
halloween atrasado:
they are night zombies!! they are neighbors!! they have come back from the dead!! ahhhh!
They Are Night Zombies!! They Are Neighbors!! They Have Come Back from the Dead!! Ahhhh!, Sufjan Stevens
I know, I know my time has passed
I'm not so young, I'm not so fast
I tremble with the nervous thought
Of having been, at last, forgot
Imagem: oprisco
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31.10.08

O olhar é um pensamento.
Tudo assalta tudo, e eu sou a imagem de tudo.
O dia roda o dorso e mostra as queimaduras,
a luz cambaleia,
a beleza é ameaçadora
- não posso escrever mais alto
transmitem-se, interiores, as formas.
Herberto Hélder
Imagem: Noah Kalina
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30.10.08

Vou pôr anúncio obsceno no diário
pedindo carne fresca pouco atlética
e nobres sentimentos de paixão.
Desejo um ser, como dizer, humano
que por acaso me descubra a boca
e tenha como eu fendidos cascos
bífida língua azul e insolentes
maneiras de cantar dentro da água.
Vou querer que me ame e abandone
com igual e serena concisão
e faça do encontro relatório
ou poema que conste do sumário
nas escolas ali além das pontes
E espero ao telefone que me digam
se sou feliz, real, ou simplesmente
uma espuma de cinza em muitas mãos.
António Franco Alexandre
Imagem: Irina Rozovsky
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22.10.08

Holly: You know those days when you get the mean reds?
Paul: The mean reds, you mean like the blues?
Holly: No. The blues are because you're getting fat and maybe it's been raining too long, you're just sad that's all.
The mean reds are horrible. Suddenly you're afraid and you don't know what you're afraid of. Do you ever get that feeling?
Paul: Sure.
Breakfast at Tiffany's, Blake Edwards (1961)
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21.10.08
The Good, the Bad and the Ugly, Ennio Morricone
(ninguém quer limpar aqui a casinha? é que já me irritam estas bolas de cotão a cirandar de um lado para o outro sempre que vem um ventinho.)
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20.10.08
Deriva
Através do teu coração passou um barco
Que não pára de seguir sem ti o seu caminho
Sophia de Mello Breyner Andresen
Imagem: gloria-aniela
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17.10.08
um bilhete para Paris, por favor.
Seize the day, Wax Tailor
Paris, Cédric Kaplisch (2008)
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15.10.08

Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
Cecília Meireles
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13.10.08
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9.10.08

Não sabemos nada
Nunca saberemos se os enganados
são os sentidos ou os sentimentos,
se viaja o comboio ou a nossa vontade
se as cidades mudam de lugar
ou se todas as casas são a mesma.
Nunca saberemos se quem nos espera
é quem nos deve esperar, nem sequer
quem temos de aguardar no meio
de um cais frio. Não sabemos nada.
Avançamos às cegas e duvidamos
se isto que se parece com a alegria
é só o sinal definitivo
de que nos voltámos a enganar.
Amalia Bautista
Imagem: LifeSaverSheep
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8.10.08
7.10.08
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6.10.08

O tempo, esse pequeno escultor,
prolongou-te os gestos
até à exaustão, ao limite do escárnio,
ao inoportuno reclame daquele
que vai morrer e não morre
e fala demasiado sobre o silêncio do seu grito.
Paciência. Não poderia ter sido de outra
maneira. Há uma influência parada,
onde o cadáver de deus
nada quer dizer. Sim, tem chovido muito.
Mas que saberá destas mesmas horas
o gato negro que a tua mão já não encontra?
Deténs-te, usas palavras vãs, despedes-te.
Sabes que foi sempre assim.
Manuel de Freitas
Imagem: Hannah Starkey
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3.10.08

Nós temos cinco sentidos:
são dois pares e meio de asas.
- Como quereis o equilíbrio?
David Mourão-Ferreira
Imagem: FourPumpkins
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2.10.08

Anoitece.
No promontório a oeste,
as aves do mar parecem adormecidas.
Uma única estrela acende a sua luz sobre o
horizonte,
sobre as lanternas brancas e azuis,
sobre a inquietação dos peixes vermelhos.
Mas nada se ouve.
Ninguém bate à porta,
os amigos são apenas uma palavra vazia,
sepultada para sempre.
Silenciosamente,
duas lágrimas descem o meu rosto,
na varanda deste hotel,
entre as árvores do fogo e a noite em ruínas.
Fecho os olhos.
Dói, às vezes docemente, dói a vida.
José Agostinho Baptista
Imagem: Hannah Starkey
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22.9.08
é oficialmente Outono.
(com maiúsculas, nada de acordos)
o que faz com que uma polva ande para aqui aos pulinhos de alegria.
isto da chuva e do frio é o que está a dar.
vamos lá comemorar com cházinho.
Imagem: niebezpiecznygroszek
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Ainda não
não há dinheiro para partir de vez
não há espaço de mais para ficar
ainda não se pode abrir uma veia
e morrer antes de alguém chegar
ainda não há uma flor na boca
para os poetas que estão aqui de passagem
e outra escarlate na alma
para os postos à margem
ainda não há nada no pulmão direito
ainda não se respira como devia ser
ainda não é por isso que choramos às vezes
e que outras somos heróis a valer
ainda não é a pátria que é uma maçada
nem estar deste lado que custa a cabeça
ainda não há uma escada e outra escada depois
para descer à frente de quem quer que desça
ainda não há camas só para pesadelos
ainda não se ama só no chão
ainda não há uma granada
ainda não há um coração
António José Forte
Imagem: ChildrensHour
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20.9.08
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15.9.08

Ponho-me a pensar como é mesmo muito animal esta coisa de se ter de dormir para depois voltar a ter de se acordar.
Era melhor tudo de seguida, dormir um mês, estar acordado dois meses, por exemplo.
Pedro Paixão, in Boa noite
Imagem: klayemi
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14.9.08

O que é que leva o meu barco
para esta praia
onde um poder esquivo
se contenta
com a ambígua oferta de palavras?
Estamos aqui
no exíguo barco de desejos
exibidos
na frágil singularidade do verbo
Insatisfeitos sempre
aguardamos
que se abram
as inpensáveis portas da ilusão.
Ana Hatherly
Imagem: margot_squelch
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6.9.08
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Entre o sempre e o nunca
é que as coisas acontecem
um segundo sem fôlego
quando menos se espera
o mundo transforma-se
afundado em si próprio
sete corações abaixo
é que de repente se imagina
uma época em que as pedras
começam a sangrar.
Pia Tafdrup
Imagem: Karolkie
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31.8.08
god knows (you gotta give to get)
e pergunta-se porque raio nunca se lembrou de ver o vídeo desta música.
está uma coisa mais linda.
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30.8.08
outros ventos. olá: diz-me o teu nome (se quiseres)
tenho dois ou três pensamentos (nunca mais que)
penso já em escrever o romance das brisas húmidas.
uma vez li um poeta que dava vida aos castelos
ensinou-me: pequenos cheiros à margem dos
sentidos não te prendas à noite (a visão mais
perfeita do mar é tomada do cimo das falésias).
queria agora acrescentar-me a ti mas (sabes?)
faço destas linhas a eternidade algo assim
como o diálogo (nosso) entre o corpo e o riso
resta ficar dentro dos dias. é verdade: de que
me querias falar? perdoa mas a manhã está-se
a esgotar (não tenho tempo: a perder)
João Luís Barreto Guimarães
Imagem: firehelmet
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o que me anima é escrever: descrição do estado da arte.
até me sinto mais artista do que quando era pequenita.
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27.8.08
nature
setembro 2008
(nature reviews, molecular cell biology)
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26.8.08
As palavras abrem portas
que só elas abrem-fecham:
revolvem o pó da lembrança
batem no vidro do coração
temporário Jonas prisioneiro
Engolidas pela máquina do tempo
um dia irão reaparecer
em mudos ecrãs iluminados
Hão-de ser recopiadas
mas sem poderem recuperar
o acre sabor metafísico
da sua perdida voz
Ana Hatherly
Imagem: margot-squelch
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25.8.08
há tempos, a joaninha (minha prima) sonhou com dois polvinhos. tem 4 anos.
um era azul e o outro vermelho, diz ela. qual será o significado disto?
eu também quero sonhar assim. com coisas que façam sentido. ai.
a mim só me calham coisas confusas e indecifráveis.
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21.8.08
micah p. hinson e as suas capas mais lindas
micah p. hinson and the gospel of progress (2005)
micah p. hinson and the opera circuit (2006)
micah p. hinson and the red empire orchestra (2008)
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We promise to come every 7 years.
então senhor Mark Oliver Everett E, já estamos em 2008 e népias. podias voltar?
(e podias trazer a Lisa Germano, como da última vez que não vi, mas ouvi? era mesmo bom)
*as outras coisas interessantes incluíam pérolas como: it’s all about the ladies, never the man. it's all about the ladies, and life will get on fine. creio que esta pérola é do senhor Butch.
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20.8.08

Todos precisamos que nos amem.
Porém, alguns infelizes,
não sabemos viver para outra coisa.
Amalia Bautista
Imagem: The-singing-nun
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19.8.08

O rapaz arrependeu-se:
- Não chores. Eu acredito.
- Pudera, até no escuro se bate com a cabeça na verdade.
- Cá estou às cabeçadas.
Carlos de Oliveira, in Uma abelha na chuva
Imagem: Ralph Gibson
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