20.7.12



i do.

(eu e mês e meio de calor ininterrupto, 30 a 40ºC todos os dias, sem excepção: não dá. não funciona. 
se eu fosse milanesa hibernava todos os anos ente Junho e Agosto, pim)

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só há uma explicação para o tipo de vida que ando a levar:



Family affair, Sly and the Family Stone

a minha tetra-tetra-tetra-tetra-...-avó materna era italiana e tem o seu magnífico retrato num Palácio em Matera (ainda por cima, era rica, tinha um Palácio, e não me deixou nada, ai senhor):



DSC08800


e a minha tetra-tetra-tetra-tetra-...-avó paterna era cigana:


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ponto final.


(ninguém come tanta lasanha e muda de casa assim tantas vezes, valham-me as estrelas no céu e os quarcks e gluões desta vida)

3.7.12


Fiona goes polvinho



every single night's alright, every single night's a fight 
and every single fight's alright with my brain

i just want to feel everything


   


 Every single night, Fiona Apple

1.7.12

AMERICAN SCIENTIST



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Lemos que estava a expandir-se o universo e 
imaginámos perplexos a quantidade 
de espaço novo a dispor entre todos quando 
bem contados nem somos muitos. Ela disse 
com certeza calhar-nos-á algum e que era 
um luxo quase imoral como tomar banho 
de banheira cheia nestes meses de seca
prosseguirmos os dois à beira da fusão.

Numa carta electrónica de resposta à
minha o articulista garantiu que nada
se expande eternamente e no prazo de algumas
gerações estelares há-de o universo
encolher outra vez e que por isso o espaço
que nos aparta é só uma questão de tempo.



António Gregório
Imagem: worteinbildern

30.6.12



once i wanted to be the greatest
two fists of solid rock
with brains that could
explain any feeling









 The Greatest, Cat Power


10.6.12



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Geoff Mcfetridge

 lembra-te,

nunca andes de bicicleta quando:


1. estás vestida com uma linda saia branca assimétrica e esvoaçante que adoras, mesmo que a ideia da saia branca linda e esvoaçante com a bicla te soe a coisa mais bela de sempre. a saia não vai acabar bem, a sério que não.

2. olhas para o céu e vês um bloco gigante de nuvens farfalhudas e meio acinzentadas que não deixam passar o sol, e há qualquer coisa no teu cérebro que te diz, que lindo dia, não vai chover tão cedo, até porque vou sair agora de bicla e a viagem não é muito longa. isto é outra coisa que não vai acabar bem.

3. vais ao supermercado e pensas que vais trazer pouca coisa, mas a despensa está vazia. esta é que não acaba mesmo bem.



e por hoje chega de nuncas.




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 Os tímidos


A escrita dos escritores tímidos tem muito de semelhante com a arte de conversar aplicada aos tímidos sociais. A maior parte das vezes quer escrever, mas não consegue. Há sempre qualquer coisa que o impede, tal como a maior parte das vezes, junto das pessoas, quer falar, mas há sempre qualquer coisa que o impede. Essa qualquer coisa tem nome, é o medo inconsciente de falhar, de dizer mal, de se esmagar contra o olhar que nós julgamos sempre feroz e infinitamente mais inteligente do outro. O mesmo se aplica à escrita. O olhar do outro vive inconscientemente dentro do nosso olhar. E o outro abstracto é sempre um eu melhorado, um eu contra o qual nós nos sentimos incapazes de combater. Os tímidos vivem sob o pavor de falhar, colocam sobre as suas lindas cabecinhas as orelhas de burro da culpabilização: eu sou mau ainda antes de o ser e, por essa lógica, se o for ainda pior serei. Os tímidos são as pessoas mais prevenidas e poupadas de que há memória. Poupam os outros de si mesmos, poupam palavras, poupam gestos, estão sempre a poupar. E é triste. Porque os tímidos, ao contrário dos outros, consomem-se em pensamentos, têm uma teoria para tudo - este é também um mito que os tímidos alimentam para se sentirem um bocadinho melhor -, mas rezarão para a história como meros figurantes na fotografia, são os da mesa do canto, os que coram, os que desviam o olhar, os que não têm sentido de oportunidade na hora da palavra, os eternos não me lembro do nome. Calam-se, não escrevem, não concretizam. Mas todo o ser humano é um ser de palavras, é um ser que nasceu para dizer algo que mais ninguém poderá dizer. Por isso, de quando em vez, o tímido monta no curso do pensamento num pónei alado e abre as comportas das palavras com um facho que tudo ilumina. Conversa muito, até ao cansaço, brilham-lhe os olhos, escreve muito, até ao cansaço, brilham-lhe ainda mais os olhos, e curva-se sobre o teclado como raposa sobre cacho de uvas ou riacho fresco e um súbito sentimento de realização inunda-lhe as mãos, inunda-lhe a boca até naufragar de novo no silêncio, até se refugiar de novo no seu casaco invisível, na sua apatia de pato de borracha que a criança esquece no vórtice do banho. É uma merda ser tímida, meus queridos. Uma merda, vos digo. 


 Ana Salomé (daqui)

9.6.12









Lie thee down, The Middle East





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  De novo o mar que espero
sentada à janela que dá para as rosas.
Que dá para todas as ruas que passei
com os teus passos. Para a estrada
onde virámos a cabeça para não ver
o homem esvaído no chão.
Depois comemos na casa de um amigo,
bebemos e falámos como se a vida fosse eterna.
À volta a estrada estava limpa, sem sinais
de sangue. As luzes sobre o mar nas duas margens
e a tua mão na minha perna. Lá no céu
um homem esventrado procura as suas asas.
Nada sei de anjos. Eu que espero o mar todos os dias
acredito na rotação da terra e na lei da gravidade.
Mas quando chegas o corpo não tem peso
e as palavras voam em redor de nós
alagadas em suor. E vem o mar.


Rosa Alice Branco


1.6.12


o menino que continua a surpreender pela positiva 





I just started hating some people today, Beck

24.5.12



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 Aceitar o dia. O que vier.
Atravessar mais ruas do que casas,
mais gente do que ruas. Atravessar
a pele até ao outro lado. Enquanto
faço e desfaço o dia. O teu coração
dorme comigo. Agasalha-me as noites
e as manhãs são frias quando me levanto.
E pergunto sempre onde estás e porque
as ruas deixaram de ser rios. Às vezes
uma gota de água cai ao chão
como se fosse uma lágrima. Às vezes
não há chão que baste para a enxugar.


 Rosa Alice Branco

20.5.12


é assim. uma menina vai toda lampeira ao supermercado e vê morangos e não resiste e imagina já aquele sabor maravilhoso e docinho nas papilas gustativas. chega a casa começa a escrita (mais uma deadline a falecer) e coloca a taça de morangos ao lado. qual tortura é descobrir que não há um único morango doce nesta taça? mas 5 minutos depois de um amargo de boca, vem sempre a esperança de que o próximo é que vai ser! esse vai sair uma meraviglia. mas não, não. o amargo continua. maldito carrefour.


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 imagem: jljjld

16.5.12

coisinha mai'linda e boa ♥



15.5.12

youngest fire, you decide 

you decide what is right 

near yet so far, isn't it? 









Lover of mine, Beach House

14.5.12



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Depois de um tempo, a gente entende que não
há distância para aqueles que se amam,
contrariando o que dizem a quilometragem, a
diferença de fuso, o tanto de afastamento dos
olhos. Porque o olhar que importa é o olhar que
ama, é o olhar que sente, é o olhar que
abençoa, e esse olha de qualquer lugar.


Ana Jácomo

13.5.12

papapapapa papapapapa




With a girl like you, The Troggs

24.4.12



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Estamos aqui.
Interrogamos símbolos persistentes.
É a hora do infinito desacerto-acerto.
O vulto da nossa singularidade viaja por palavras
matéria insensível de um poder esquivo.
Confissões discordantes pavimentam a nossa hesitação.
Há uma embriaguez de luto em nossos actos-chaves.


Aspiramos à alta liberdade
um bem sempre suspenso que nos crucifica.


Cheios de ávidas esperanças sobrevoamos
e depois mergulhamos nessa outra esfera imaginária.
Com arriscada atenção aspiramos à ditosa notíciade uma perfeição especialista em fracassos.
Estrangeiros sempre
agudamente colhemos os frutos discordantes.



Ana Hatherly
Imagem: Laura Redburn

23.4.12


I’m slow like the trees when they grow







Everyone seems so certain

Everyone knows who they are
Everyone’s got a mother and a father
They all seem so sure they’re going far
They all got more friends than they can use

Except me ‘cause I’m a fool
I’m as simple as a bee
As a melody in C
But it don’t matter
There are more wishes than stars

Every guest
So pleased with themselves
They’re brimming with success
Their whole life’s been blessed
But it don’t matter

Everyone’s been on a holiday in the sun
Or they just got back from one
All they do is just have fun
They all got more friends than they can use

I’m not too certain about many things
I’m not too sure who I am
I ain't got no mother and I ain't got no father
I ain't got no girlfriend to hold my hand

I’m slow like the trees when they grow
I’m sluggish like the ocean when it moves
I’m plain like water or like rain
But I shouldn’t complain cause it don’t matter

There are more wishes than stars

More wishes than stars




Wishes and stars, Harper Simon

21.4.12

everyday it's a-gettin' closer goin' faster than a roller coaster


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Everyday, Buddy Holly

17.4.12



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vestido


dá-me os teus olhos

eles são lagos, crateras de atenção, e a tua boca na minha, torna
o meu vestido num fragmento de mim,
tecido-terra por onde circula a claridade


dá-me os teus olhos

esta é a hora temperada da excepcionalidade, de um não-pensar,
via da consolação e dom, momento em que nada se disse
e não importou


dá-me os teus olhos, só assim serei alguém de amor



Ana Marques Gastão
Imagem: Kate Pulley