2.9.12
31.8.12
30.8.12
Tenho uma folha branca e limpa à minha espera:
mudo convite
tenho uma cama branca e limpa à minha espera:
mudo convite
tenho uma vida branca e limpa à minha espera.
Ana Cristina Cesar
Imagem: jeana_sohn
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menina tóxica
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23:22
28.8.12
26.7.12
o que eu queria agora mesmo era só isto:
i'm sittin' on the dock of the bay
watching the tide roll away
Ooo, i'm just sittin' on the dock of the bay
waistin' time
Sitting on the dock of the bay, Otis Redding
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menina tóxica
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22:16
20.7.12
i do.
(eu e mês e meio de calor ininterrupto, 30 a 40ºC todos os dias, sem excepção: não dá. não funciona.
se eu fosse milanesa hibernava todos os anos ente Junho e Agosto, pim)
se eu fosse milanesa hibernava todos os anos ente Junho e Agosto, pim)
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menina tóxica
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21:39
só há uma explicação para o tipo de vida que ando a levar:
Family affair, Sly and the Family Stone
a minha tetra-tetra-tetra-tetra-...-avó materna era italiana e tem o seu magnífico retrato num Palácio em Matera (ainda por cima, era rica, tinha um Palácio, e não me deixou nada, ai senhor):
e a minha tetra-tetra-tetra-tetra-...-avó paterna era cigana:
ponto final.
(ninguém come tanta lasanha e muda de casa assim tantas vezes, valham-me as estrelas no céu e os quarcks e gluões desta vida)
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menina tóxica
at
21:29
3.7.12
Fiona goes polvinho
every single night's alright, every single night's a fight
and every single fight's alright with my brain
i just want to feel everything
Every single night, Fiona Apple
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menina tóxica
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22:00
1.7.12
AMERICAN SCIENTIST
Lemos que estava a expandir-se o universo e
imaginámos perplexos a quantidade
de espaço novo a dispor entre todos quando
bem contados nem somos muitos. Ela disse
com certeza calhar-nos-á algum e que era
um luxo quase imoral como tomar banho
de banheira cheia nestes meses de seca
prosseguirmos os dois à beira da fusão.
Numa carta electrónica de resposta à
minha o articulista garantiu que nada
se expande eternamente e no prazo de algumas
gerações estelares há-de o universo
encolher outra vez e que por isso o espaço
que nos aparta é só uma questão de tempo.
António Gregório
Imagem: worteinbildern
Imagem: worteinbildern
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menina tóxica
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23:17
30.6.12
once i wanted to be the greatest
two fists of solid rock
with brains that could
explain
any feeling
The Greatest, Cat Power
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menina tóxica
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20:08
10.6.12
lembra-te,
nunca andes de bicicleta quando:
1. estás vestida com uma linda saia branca assimétrica e esvoaçante que adoras, mesmo que a ideia da saia branca linda e esvoaçante com a bicla te soe a coisa mais bela de sempre. a saia não vai acabar bem, a sério que não.
2. olhas para o céu e vês um bloco gigante de nuvens farfalhudas e meio acinzentadas que não deixam passar o sol, e há qualquer coisa no teu cérebro que te diz, que lindo dia, não vai chover tão cedo, até porque vou sair agora de bicla e a viagem não é muito longa. isto é outra coisa que não vai acabar bem.
3. vais ao supermercado e pensas que vais trazer pouca coisa, mas a despensa está vazia. esta é que não acaba mesmo bem.
e por hoje chega de nuncas.
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menina tóxica
at
20:27
♥
Os tímidos
A escrita dos escritores tímidos tem muito de semelhante com a arte de conversar aplicada aos tímidos sociais. A maior parte das vezes quer escrever, mas não consegue. Há sempre qualquer coisa que o impede, tal como a maior parte das vezes, junto das pessoas, quer falar, mas há sempre qualquer coisa que o impede. Essa qualquer coisa tem nome, é o medo inconsciente de falhar, de dizer mal, de se esmagar contra o olhar que nós julgamos sempre feroz e infinitamente mais inteligente do outro. O mesmo se aplica à escrita. O olhar do outro vive inconscientemente dentro do nosso olhar. E o outro abstracto é sempre um eu melhorado, um eu contra o qual nós nos sentimos incapazes de combater. Os tímidos vivem sob o pavor de falhar, colocam sobre as suas lindas cabecinhas as orelhas de burro da culpabilização: eu sou mau ainda antes de o ser e, por essa lógica, se o for ainda pior serei. Os tímidos são as pessoas mais prevenidas e poupadas de que há memória. Poupam os outros de si mesmos, poupam palavras, poupam gestos, estão sempre a poupar. E é triste. Porque os tímidos, ao contrário dos outros, consomem-se em pensamentos, têm uma teoria para tudo - este é também um mito que os tímidos alimentam para se sentirem um bocadinho melhor -, mas rezarão para a história como meros figurantes na fotografia, são os da mesa do canto, os que coram, os que desviam o olhar, os que não têm sentido de oportunidade na hora da palavra, os eternos não me lembro do nome. Calam-se, não escrevem, não concretizam. Mas todo o ser humano é um ser de palavras, é um ser que nasceu para dizer algo que mais ninguém poderá dizer. Por isso, de quando em vez, o tímido monta no curso do pensamento num pónei alado e abre as comportas das palavras com um facho que tudo ilumina. Conversa muito, até ao cansaço, brilham-lhe os olhos, escreve muito, até ao cansaço, brilham-lhe ainda mais os olhos, e curva-se sobre o teclado como raposa sobre cacho de uvas ou riacho fresco e um súbito sentimento de realização inunda-lhe as mãos, inunda-lhe a boca até naufragar de novo no silêncio, até se refugiar de novo no seu casaco invisível, na sua apatia de pato de borracha que a criança esquece no vórtice do banho. É uma merda ser tímida, meus queridos. Uma merda, vos digo.
Ana Salomé (daqui)
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menina tóxica
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19:03
9.6.12
De novo o mar que espero
sentada à janela que dá para as rosas.
Que dá para todas as ruas que passei
com os teus passos. Para a estrada
onde virámos a cabeça para não ver
o homem esvaído no chão.
Depois comemos na casa de um amigo,
bebemos e falámos como se a vida fosse eterna.
À volta a estrada estava limpa, sem sinais
de sangue. As luzes sobre o mar nas duas margens
e a tua mão na minha perna. Lá no céu
um homem esventrado procura as suas asas.
Nada sei de anjos. Eu que espero o mar todos os dias
acredito na rotação da terra e na lei da gravidade.
Mas quando chegas o corpo não tem peso
e as palavras voam em redor de nós
alagadas em suor. E vem o mar.
Rosa Alice Branco
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menina tóxica
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23:48
1.6.12
o menino que continua a surpreender pela positiva ♥
I just started hating some people today, Beck
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menina tóxica
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22:32
24.5.12
Aceitar o dia. O que vier.
Atravessar mais ruas do que casas,
mais gente do que ruas. Atravessar
a pele até ao outro lado. Enquanto
faço e desfaço o dia. O teu coração
dorme comigo. Agasalha-me as noites
e as manhãs são frias quando me levanto.
E pergunto sempre onde estás e porque
as ruas deixaram de ser rios. Às vezes
uma gota de água cai ao chão
como se fosse uma lágrima. Às vezes
não há chão que baste para a enxugar.
Rosa Alice Branco
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menina tóxica
at
23:02
20.5.12
é assim. uma menina vai toda lampeira ao supermercado e vê morangos e não resiste e imagina já aquele sabor maravilhoso e docinho nas papilas gustativas. chega a casa começa a escrita (mais uma deadline a falecer) e coloca a taça de morangos ao lado. qual tortura é descobrir que não há um único morango doce nesta taça? mas 5 minutos depois de um amargo de boca, vem sempre a esperança de que o próximo é que vai ser! esse vai sair uma meraviglia. mas não, não. o amargo continua. maldito carrefour.
imagem: jljjld
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menina tóxica
at
16:57
16.5.12
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menina tóxica
at
21:29
15.5.12
youngest fire, you decide
you decide what is right
near yet so far, isn't it?
Lover of mine, Beach House
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menina tóxica
at
22:36
14.5.12
Depois de um tempo, a gente entende que não
há distância para aqueles que se amam,
contrariando o que dizem a quilometragem, a
diferença de fuso, o tanto de afastamento dos
olhos. Porque o olhar que importa é o olhar que
ama, é o olhar que sente, é o olhar que
abençoa, e esse olha de qualquer lugar.
Ana Jácomo
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menina tóxica
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22:36
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