19.1.13

baby it's cold outside



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Baby it's cold outside, Bing Crosby & Doris Day

2.1.13

das coisas boas de ínicio de ano que envolvem chás e pacotes de açúcar Sical


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Tens duas hipóteses de olhar a gaivota à janela. 
Ou a vês elevar-se no ar, asas abertas, repetindo a imagem de milhões de abraços, ou a vês descer à água e a despedaçar um peixe.
Sonhador das horas vagas, que não pediste conselho. Alterna e terás a realidade.


Lídia Jorge
Imagem: Lisa Mitchell


9.12.12

obrigada 

mallu





Baby I'm sure, Mallu Magalhães, Pitanga (2012)


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este o lugar do frívolo, o vaidoso
campo de inverno frio.
leio os mapas, os tiros, como quem
tem a radioscopia sobre a mesa.

quando começa a ser poema, a frase
destoa no veludo.
a meio do caminho os troncos derrubados
as pequenas bandeiras vermelhas,

choveu. são modos de falar,
ténues, dentro do nevoeiro.
que o corpo era tão claro, esse

foi o primeiro a acontecer, agora
os rios, a boca, as derradeiras
estradas se confundem.

António Franco Alexandre
Imagem daqui

25.11.12

em repeat



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your world is just beginning
it's up to you to be a superhero
it's up to you to be like nobody

you ain't got nothing but time
for your way of living
and it ain't got nothing on you


Nothin' but time, Cat Power




21.9.12

o que o Lineu sofreu



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Ilustração: Georg Ehret


um homem diz coisas lindas e romanticiza sobre a reprodução sexuada nas plantas com flor com coisas como esta:

the calyx is the bride chamber in which the stamina and pistilla solemnize their nuptials 

e depois ouve destas coisas: 

a man would not naturally expect to meet with disgusting strokes of obscenity in a system of botany (...) men or philosophers can smile at the nonsense and absurdity of such obscene gibberish; but it is easy to guess what effects it may have upon the young and thoughtless.

Wiliam Smellie


ai senhor, os efeitos que isto teve na juventude, foi terrível, terrível. agora há pessoas como nós a estudar isto e, ó heresia. obscenidade.

9.9.12

suspenderam os jardins da babilônia



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Suspenderam os jardins da Babilônia, Rita Lee 


suspenderam os Jardins da Babilônia
eu pra não ficar por baixo resolvi
botar as asas pra fora porquê...
"quem não chora dali"
"não mama daqui"
diz o ditado, quem pode,
pode deixa os acomodados
que se incomodem.


minha saúde não é de ferro não
mas meus nervos são de aço
pra pedir silêncio eu berro
pra fazer barulho eu mesma faço
ou não!...


pegar fogo nunca foi atração de circo
mas de qualquer maneira pode ser!
um caloroso espectáculo
então!...

o palhaço ri dali
o povo chora daqui
e o show não pára
e apesar dos pesares do mundo
vou segurar essa barra

5.9.12



querido vizinho do lado: 


se voltas à baruheira mafiosa do antigamente que normalmente envolve sons altos e estranhos, pancadaria, gritos histéricos e carabinieri, é assim:




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 e olha que daqui a uns dias somos duas. pensa bem.





(e já agora, estou muito chateada porque isto aparece ali em cima atualizar e não actualizar, blogger, cuidado, eu tenho um taco de baseball. ou lá como se chama)

2.9.12


once in a while even existentialists do it



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Fascination, Jane Morgan



  Love in the afternoon (1957) Billy Wilder

31.8.12




*



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 *

30.8.12





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Tenho uma folha branca e limpa à minha espera:

mudo convite

tenho uma cama branca e limpa à minha espera:

mudo convite

tenho uma vida branca e limpa à minha espera.


Ana Cristina Cesar
Imagem: jeana_sohn

28.8.12



just take a look at us
we are heading for a fall 





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The truth, Handsome Boy Modeling School feat. Roisin Murphy

26.7.12

o que eu queria agora mesmo era só isto:


i'm sittin' on the dock of the bay
watching the tide roll away
Ooo, i'm just sittin' on the dock of the bay
waistin' time


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 Sitting on the dock of the bay, Otis Redding



20.7.12



i do.

(eu e mês e meio de calor ininterrupto, 30 a 40ºC todos os dias, sem excepção: não dá. não funciona. 
se eu fosse milanesa hibernava todos os anos ente Junho e Agosto, pim)

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só há uma explicação para o tipo de vida que ando a levar:



Family affair, Sly and the Family Stone

a minha tetra-tetra-tetra-tetra-...-avó materna era italiana e tem o seu magnífico retrato num Palácio em Matera (ainda por cima, era rica, tinha um Palácio, e não me deixou nada, ai senhor):



DSC08800


e a minha tetra-tetra-tetra-tetra-...-avó paterna era cigana:


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ponto final.


(ninguém come tanta lasanha e muda de casa assim tantas vezes, valham-me as estrelas no céu e os quarcks e gluões desta vida)

3.7.12


Fiona goes polvinho



every single night's alright, every single night's a fight 
and every single fight's alright with my brain

i just want to feel everything


   


 Every single night, Fiona Apple

1.7.12

AMERICAN SCIENTIST



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Lemos que estava a expandir-se o universo e 
imaginámos perplexos a quantidade 
de espaço novo a dispor entre todos quando 
bem contados nem somos muitos. Ela disse 
com certeza calhar-nos-á algum e que era 
um luxo quase imoral como tomar banho 
de banheira cheia nestes meses de seca
prosseguirmos os dois à beira da fusão.

Numa carta electrónica de resposta à
minha o articulista garantiu que nada
se expande eternamente e no prazo de algumas
gerações estelares há-de o universo
encolher outra vez e que por isso o espaço
que nos aparta é só uma questão de tempo.



António Gregório
Imagem: worteinbildern

30.6.12



once i wanted to be the greatest
two fists of solid rock
with brains that could
explain any feeling









 The Greatest, Cat Power


10.6.12



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Geoff Mcfetridge

 lembra-te,

nunca andes de bicicleta quando:


1. estás vestida com uma linda saia branca assimétrica e esvoaçante que adoras, mesmo que a ideia da saia branca linda e esvoaçante com a bicla te soe a coisa mais bela de sempre. a saia não vai acabar bem, a sério que não.

2. olhas para o céu e vês um bloco gigante de nuvens farfalhudas e meio acinzentadas que não deixam passar o sol, e há qualquer coisa no teu cérebro que te diz, que lindo dia, não vai chover tão cedo, até porque vou sair agora de bicla e a viagem não é muito longa. isto é outra coisa que não vai acabar bem.

3. vais ao supermercado e pensas que vais trazer pouca coisa, mas a despensa está vazia. esta é que não acaba mesmo bem.



e por hoje chega de nuncas.




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 Os tímidos


A escrita dos escritores tímidos tem muito de semelhante com a arte de conversar aplicada aos tímidos sociais. A maior parte das vezes quer escrever, mas não consegue. Há sempre qualquer coisa que o impede, tal como a maior parte das vezes, junto das pessoas, quer falar, mas há sempre qualquer coisa que o impede. Essa qualquer coisa tem nome, é o medo inconsciente de falhar, de dizer mal, de se esmagar contra o olhar que nós julgamos sempre feroz e infinitamente mais inteligente do outro. O mesmo se aplica à escrita. O olhar do outro vive inconscientemente dentro do nosso olhar. E o outro abstracto é sempre um eu melhorado, um eu contra o qual nós nos sentimos incapazes de combater. Os tímidos vivem sob o pavor de falhar, colocam sobre as suas lindas cabecinhas as orelhas de burro da culpabilização: eu sou mau ainda antes de o ser e, por essa lógica, se o for ainda pior serei. Os tímidos são as pessoas mais prevenidas e poupadas de que há memória. Poupam os outros de si mesmos, poupam palavras, poupam gestos, estão sempre a poupar. E é triste. Porque os tímidos, ao contrário dos outros, consomem-se em pensamentos, têm uma teoria para tudo - este é também um mito que os tímidos alimentam para se sentirem um bocadinho melhor -, mas rezarão para a história como meros figurantes na fotografia, são os da mesa do canto, os que coram, os que desviam o olhar, os que não têm sentido de oportunidade na hora da palavra, os eternos não me lembro do nome. Calam-se, não escrevem, não concretizam. Mas todo o ser humano é um ser de palavras, é um ser que nasceu para dizer algo que mais ninguém poderá dizer. Por isso, de quando em vez, o tímido monta no curso do pensamento num pónei alado e abre as comportas das palavras com um facho que tudo ilumina. Conversa muito, até ao cansaço, brilham-lhe os olhos, escreve muito, até ao cansaço, brilham-lhe ainda mais os olhos, e curva-se sobre o teclado como raposa sobre cacho de uvas ou riacho fresco e um súbito sentimento de realização inunda-lhe as mãos, inunda-lhe a boca até naufragar de novo no silêncio, até se refugiar de novo no seu casaco invisível, na sua apatia de pato de borracha que a criança esquece no vórtice do banho. É uma merda ser tímida, meus queridos. Uma merda, vos digo. 


 Ana Salomé (daqui)