23.9.13




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E saber que posso transmigrar
é bom - se de repente me apetece
o lugar de um outro lugar
não tal qual o imagino, não esse

se à face de um soneto tenho medo
de tudo conjugar em desalinho
a vida, o amor, qualquer enredo
à memória ergo um copo de vinho

A vida pede demoras que não tens
percalços se os tiveres cuida-os bem
dos meus, aqui te digo, eu cuidarei

Pois meus amigos se o que disse
para vós não tiver sentido
digam-me. Hoje, sou toda ouvidos.


Helga Moreira
Imagem: Erwin Brevis





só para que conste senhor aloe blacc: não foste nada inovador, pá.





Me dá um dinheiro aí, João Dias


23.6.13



s. joão, tenho saudades tuas, snifs.
meus ricos martelinhos, manjericos, alhos porros e caminhadas pelo meio dos bailaricos da ribeira até à foz


 




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este ano fico-me pela companhia da ritinha, para enganar a saudade.





Datemi un martello, Rita Pavone


22.6.13



pérolas senhor, isto são pérolas *



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ah, ricas aulas de Genética com o Professor António Amorim.


* isso e o dizer-me que eu não sei escrever em português, que nem ele sabe, nem ninguém. então e as 3 ou 4 vezes em que li Os Maias? foi aí que aprendi tudo, ai. o Eça é que sabe.



(via Memes da FCUP)

20.6.13




i know we're running baby, but i need you now
i know we're going crazy, but i need you now
i need you now, to fight somehow






Need you now, Cut Copy &; Architecture in Helsinki

10.6.13

parole, parole, parole


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Italia by Masako Kubo 







Parole Parole, Mina & Alberto Lupo


9.6.13





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Não te chamo para te conhecer
Conheço tudo à força de não ser 

Peço-te que venhas e me dês
Um pouco de ti mesmo onde eu habite.


Sophia de Mello Breyner Andersen
Imagem: Katie Lionheart


19.5.13


ai que saudade da voxx, rádio mai'linda do mundo





I walk the earth, King biscuit time


17.5.13


onde estás ó prima?



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13.5.13



Life has a gap in it... 



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it just does.


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 Take this waltz, (2011) Sarah Polley


5.5.13



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Onde estás, minha vida em câmara lenta,
janela toda aberta onde procuro
o vento, a luz da noite? Onde estarás,
melodia cantada a soluçar
numa cama de grades? Onde estás,
olhar dessas visões em sobressalto,
Casal da Bela Vista, velho pátio
ao som da bicicleta? Onde ficaste,
infinito terraço da Alameda,
varanda cor-de-rosa da Parede
com o sol a morrer sobre Cascais?
Onde estás, corredor de São FIlipe
praia do Monte Branco onde outro eu
se lançava da prancha? Onde estarão
os risos desses primos transparentes,
as lágrimas acesas transparentes,
as lágrimas acesas que brilhavam
como arco-íris de seda no meu rosto?
Onde ficou a última pergunta
em véspera de viagem? Onde estás
o mapa dessa alma que foi espuma,
o nó dessa garganta submersa?


Fernando Pinto do Amaral
Imagem: tih ana


4.5.13

waiting for a superman



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I asked you a question
I didn't need you to reply
Is it getting heavy?
And then realize
It's getting heavy
Well I thought it was already as heavy as can be

Is it overwhelming
To use a crane to crush a fly?
It's a good time for Superman
To lift the sun into the sky
Cause it's getting heavy
Well I thought it was already as heavy as can be

Tell everybody
Waiting for Superman
That they should try to
Hold on the best they can




1.5.13

primeiro de maio




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(Viana do Castelo)


28.4.13



well nobody made this war of mine.


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27.4.13

zooey és a maior
tóxica lobes you.

new girl addiction.


(eu sei, eu sei, too girly, bah, who cares?)


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Zooey Deschanel

20.4.13

adele vs alanis

ou: porque não gosto da Adele.
(não é só porque ela berra muito)

a adele berra coisas como esta:

never mind, i'll find someone like you
i wish nothing but the best for you, too
don't forget me, i begged...

Someone like you

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voltando uns bons anos atrás, era eu uma adolescente feliz da vida (ou não) e ouvia a Alanis aos berros e gostava. pergunto-me porquê. a alanis berrava coisas em modo:


i want you to know, that i'm happy for you
i wish nothing but the best for you both
an older version of me...
and every time i scratch my nails down someone else's back
i hope you feel it...well can you feel it
well, i'm here to remind you
of the mess you left when you went away...

You oughta know



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Alanis estou contigo. Adele, és uma falsa. entre a ironia da alanis e o falso "quero que sejas muito feliz" da adele, prefiro mil alanis a berrar nos meus ouvidos.


18.4.13

claro que sim.

um real-time por dia dá saúde e alegria.
e molta paura.


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how do you bust the clouds?


 


grass on your back been hanging in the air
i wanna scope you out
i wanna touch your mouth when you're up there

when are you coming back?
bird on a branch will come back home to sing
when are you coming back?
bringing it back and singing what you bring

how do you bust the clouds?
head on the ground and feeling what you've seen
i wanna scope you out
i wanna be your eyes and show you me

when are you coming back?
when are you gonna burn that broken bed?
when are you coming back?
i wanna see you drifting overhead


Burn that broken bed, Calexico and  Iron & Wine

8.4.13



the moment conversation stops,
she's gone,
away.



 

Toxic Girl, Kings of Convenience

7.4.13





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Sempre acreditei que eram as palavras
que saíam da minha boca, e que só elas
podiam apaziguar a minha morte.
Hoje sei que da minha boca sai um fio
transparente e tenaz como uma insónia
que te amarrou à minha vida para sempre.


Amalia Bautista
Imagem: Anne-Claire Rohé

21.3.13



if you go please let me know, i'll go with a heart on fire





   

 Thirteen thirty-five, Dillon





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 Somos ainda o limiar - espessa
nuvem embrionária. Verdes,
imaturos crustáceos
emergimos
à superfície grávida
das ondas. Somos
o medo ou sua
improvável renúncia. O que
sabemos do
amor, da morte, é só
difusa,
opaca,
luminosa fábula.



Albano Martins

17.3.13


i stand no chance of growing up




Valentine, Fiona Apple, The Idler Wheel Is Wiser Than the Driver of the Screw and Whipping Cords Will Serve You More Than Ropes Will Ever Do (2012)




You didn't see my valentine
I sent it via pantomime
While you were watchin' someone else
I stared at you and cut myself

Its all I'll do 'cause I'm not free
A fugitive too dull to flee
I'm amorous but out of reach
A still life drawing of a peach

I'm a tulip in a cup
I stand no chance of growing up
I've made my peace I'm dead I'm done
I watched you live to have my fun

I root for you, I love you. You, you, you, you
I root for you, I love you. You, you, you, you
I root for you, I love you. You, you, you, you


I made it to a dinner date
My tear drops seasoned every plate
I tried to dance but lost my nerve
I cramped up in the learning curve

I'm a tulip in a cup
I stand no chance of growing up
I'm resigned to sail on through
In the wake of tales of you

I root for you, I love you. You, you, you, you.
I root for you, I love you. You, you, you.
I root for you, I love you. You, you, you, you, you, you, you.
I root for you, I love you. You, you, you.

13.3.13




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The... the other important joke, for me, is one that's usually attributed to Groucho Marx; but, I think it appears originally in Freud's "Wit and Its Relation to the Unconscious," and it goes like this - I'm paraphrasing - um, "I would never want to belong to any club that would have someone like me for a member." 
That's the key joke of my adult life, in terms of my relationships with women. 


Annie Hall (1977), Woody Allen
Imagem: Michael Donovan

4.3.13



everyone in the big machine
tries to break your heart and pull you underneath
maybe i’m wrong and all that you get is what you see
but maybe i’m right and there’s something out there to believe



 

Big Machine, Ryan Miller





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Safety not guaranteed, 2012, Colin Trevorrow


3.3.13



para aqueles momentos em que se espera por um duplo, triplo, quadruplo ou quintuplo mutante:



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(devia pendurar isto em frente à lupa para quando emasculo flores e polinizo coisas armada em abelha)






   


 On and ever onward, Dirty Projectors & Bjork


on and ever onward
our home is all around us
on and ever onward
our love is all around us


1.3.13





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Queria ser feita de legos, a rapariga desmontável, desdobrável por articulações. 
Queria poder construir-me de modo diferente a cada queda.

Ana (aqui)

Imagem:eduardoizq

25.2.13

bah, rendição. 
série mai'linda 
obrigada HBO



Girls, Lena Dunham


Wonderwall, Oasis

24.2.13

i'll never fly with you again ryan, never again i swear.



Fly me to the moon, Pelle Carlberg


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eu continuo a dizer o mesmo de cada vez que o faço, e depois, pimbas, lá estou eu outra vez enfiada num avião ryanair. 
e a dizer o mesmo.

23.2.13

ele é sábado à noite




I Love it, Icona Pop 


e eu tenho de começar e acabar uma apresentação ainda hoje.
banda sonora, não me atraiçoes:



you're on a different road, i'm in the milky way
you want me down on earth, but i am up in space
you're so damn hard to please, we gotta kill this switch
you're from the 70's, but i'm a 90's bitch


(refrão otovérmico)

Equilíbrio 


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Nós vamos
cada um por si
no caminho estreito
sobre as cabeças dos mortos
- quase sem medo -
seguindo nossos corações,
como se estivéssemos protegidos,
enquanto o amor
não se interrompe.

Assim vamos nós
entre borboletas e pássaros
em admirável equilíbrio
para uma manhã da copa das árvores
- verde, dourado e azul –
e para o despertar
dos olhos apaixonados.


Hilde Domin
Imagem: greg pths

12.2.13





Open, Rhye





8.2.13


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Sempre amei por palavras muito mais
do que devia
são um perigo
as palavras
quando as soltamos já não há
regresso possível
ninguém pode não dizer o que já disse
apenas esquecer e o esquecimento acredita
é a mais lenta das feridas mortais
espalha-se insidiosamente pelo nosso corpo
e vai cortando a pele como se um barco
nos atravessasse de madrugada
e de repente acordamos um dia
desprevenidos e completamente
indefesos
um perigo
as palavras
mesmo agora
aparentemente tão tranquilas
neste claro momento em que as deixo em desalinho
sacudindo o pó dos velhos dias
sobre a cama em que te espero

Alice Vieira

30.1.13

i'm not suicidal

i just can't get out of bed

i drift into a deep fog lost where i forgot to hold it



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Sattelite Mind, Metric

Imagem: Annabel Mehran


19.1.13

C'mon, let's be psychos together!

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The perks of being a wallflower, Stephen Chbosky (2012)

baby it's cold outside



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Baby it's cold outside, Bing Crosby & Doris Day

2.1.13

das coisas boas de ínicio de ano que envolvem chás e pacotes de açúcar Sical


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Tens duas hipóteses de olhar a gaivota à janela. 
Ou a vês elevar-se no ar, asas abertas, repetindo a imagem de milhões de abraços, ou a vês descer à água e a despedaçar um peixe.
Sonhador das horas vagas, que não pediste conselho. Alterna e terás a realidade.


Lídia Jorge
Imagem: Lisa Mitchell


9.12.12

obrigada 

mallu





Baby I'm sure, Mallu Magalhães, Pitanga (2012)


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este o lugar do frívolo, o vaidoso
campo de inverno frio.
leio os mapas, os tiros, como quem
tem a radioscopia sobre a mesa.

quando começa a ser poema, a frase
destoa no veludo.
a meio do caminho os troncos derrubados
as pequenas bandeiras vermelhas,

choveu. são modos de falar,
ténues, dentro do nevoeiro.
que o corpo era tão claro, esse

foi o primeiro a acontecer, agora
os rios, a boca, as derradeiras
estradas se confundem.

António Franco Alexandre
Imagem daqui

25.11.12

em repeat



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your world is just beginning
it's up to you to be a superhero
it's up to you to be like nobody

you ain't got nothing but time
for your way of living
and it ain't got nothing on you


Nothin' but time, Cat Power




21.9.12

o que o Lineu sofreu



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Ilustração: Georg Ehret


um homem diz coisas lindas e romanticiza sobre a reprodução sexuada nas plantas com flor com coisas como esta:

the calyx is the bride chamber in which the stamina and pistilla solemnize their nuptials 

e depois ouve destas coisas: 

a man would not naturally expect to meet with disgusting strokes of obscenity in a system of botany (...) men or philosophers can smile at the nonsense and absurdity of such obscene gibberish; but it is easy to guess what effects it may have upon the young and thoughtless.

Wiliam Smellie


ai senhor, os efeitos que isto teve na juventude, foi terrível, terrível. agora há pessoas como nós a estudar isto e, ó heresia. obscenidade.

9.9.12

suspenderam os jardins da babilônia



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Suspenderam os jardins da Babilônia, Rita Lee 


suspenderam os Jardins da Babilônia
eu pra não ficar por baixo resolvi
botar as asas pra fora porquê...
"quem não chora dali"
"não mama daqui"
diz o ditado, quem pode,
pode deixa os acomodados
que se incomodem.


minha saúde não é de ferro não
mas meus nervos são de aço
pra pedir silêncio eu berro
pra fazer barulho eu mesma faço
ou não!...


pegar fogo nunca foi atração de circo
mas de qualquer maneira pode ser!
um caloroso espectáculo
então!...

o palhaço ri dali
o povo chora daqui
e o show não pára
e apesar dos pesares do mundo
vou segurar essa barra

5.9.12



querido vizinho do lado: 


se voltas à baruheira mafiosa do antigamente que normalmente envolve sons altos e estranhos, pancadaria, gritos histéricos e carabinieri, é assim:




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 e olha que daqui a uns dias somos duas. pensa bem.





(e já agora, estou muito chateada porque isto aparece ali em cima atualizar e não actualizar, blogger, cuidado, eu tenho um taco de baseball. ou lá como se chama)

2.9.12


once in a while even existentialists do it



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Fascination, Jane Morgan



  Love in the afternoon (1957) Billy Wilder

31.8.12




*



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 *

30.8.12





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Tenho uma folha branca e limpa à minha espera:

mudo convite

tenho uma cama branca e limpa à minha espera:

mudo convite

tenho uma vida branca e limpa à minha espera.


Ana Cristina Cesar
Imagem: jeana_sohn

28.8.12



just take a look at us
we are heading for a fall 





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The truth, Handsome Boy Modeling School feat. Roisin Murphy

26.7.12

o que eu queria agora mesmo era só isto:


i'm sittin' on the dock of the bay
watching the tide roll away
Ooo, i'm just sittin' on the dock of the bay
waistin' time


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 Sitting on the dock of the bay, Otis Redding



20.7.12



i do.

(eu e mês e meio de calor ininterrupto, 30 a 40ºC todos os dias, sem excepção: não dá. não funciona. 
se eu fosse milanesa hibernava todos os anos ente Junho e Agosto, pim)

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só há uma explicação para o tipo de vida que ando a levar:



Family affair, Sly and the Family Stone

a minha tetra-tetra-tetra-tetra-...-avó materna era italiana e tem o seu magnífico retrato num Palácio em Matera (ainda por cima, era rica, tinha um Palácio, e não me deixou nada, ai senhor):



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e a minha tetra-tetra-tetra-tetra-...-avó paterna era cigana:


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ponto final.


(ninguém come tanta lasanha e muda de casa assim tantas vezes, valham-me as estrelas no céu e os quarcks e gluões desta vida)

3.7.12


Fiona goes polvinho



every single night's alright, every single night's a fight 
and every single fight's alright with my brain

i just want to feel everything


   


 Every single night, Fiona Apple

1.7.12

AMERICAN SCIENTIST



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Lemos que estava a expandir-se o universo e 
imaginámos perplexos a quantidade 
de espaço novo a dispor entre todos quando 
bem contados nem somos muitos. Ela disse 
com certeza calhar-nos-á algum e que era 
um luxo quase imoral como tomar banho 
de banheira cheia nestes meses de seca
prosseguirmos os dois à beira da fusão.

Numa carta electrónica de resposta à
minha o articulista garantiu que nada
se expande eternamente e no prazo de algumas
gerações estelares há-de o universo
encolher outra vez e que por isso o espaço
que nos aparta é só uma questão de tempo.



António Gregório
Imagem: worteinbildern

30.6.12



once i wanted to be the greatest
two fists of solid rock
with brains that could
explain any feeling









 The Greatest, Cat Power


10.6.12



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Geoff Mcfetridge

 lembra-te,

nunca andes de bicicleta quando:


1. estás vestida com uma linda saia branca assimétrica e esvoaçante que adoras, mesmo que a ideia da saia branca linda e esvoaçante com a bicla te soe a coisa mais bela de sempre. a saia não vai acabar bem, a sério que não.

2. olhas para o céu e vês um bloco gigante de nuvens farfalhudas e meio acinzentadas que não deixam passar o sol, e há qualquer coisa no teu cérebro que te diz, que lindo dia, não vai chover tão cedo, até porque vou sair agora de bicla e a viagem não é muito longa. isto é outra coisa que não vai acabar bem.

3. vais ao supermercado e pensas que vais trazer pouca coisa, mas a despensa está vazia. esta é que não acaba mesmo bem.



e por hoje chega de nuncas.




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 Os tímidos


A escrita dos escritores tímidos tem muito de semelhante com a arte de conversar aplicada aos tímidos sociais. A maior parte das vezes quer escrever, mas não consegue. Há sempre qualquer coisa que o impede, tal como a maior parte das vezes, junto das pessoas, quer falar, mas há sempre qualquer coisa que o impede. Essa qualquer coisa tem nome, é o medo inconsciente de falhar, de dizer mal, de se esmagar contra o olhar que nós julgamos sempre feroz e infinitamente mais inteligente do outro. O mesmo se aplica à escrita. O olhar do outro vive inconscientemente dentro do nosso olhar. E o outro abstracto é sempre um eu melhorado, um eu contra o qual nós nos sentimos incapazes de combater. Os tímidos vivem sob o pavor de falhar, colocam sobre as suas lindas cabecinhas as orelhas de burro da culpabilização: eu sou mau ainda antes de o ser e, por essa lógica, se o for ainda pior serei. Os tímidos são as pessoas mais prevenidas e poupadas de que há memória. Poupam os outros de si mesmos, poupam palavras, poupam gestos, estão sempre a poupar. E é triste. Porque os tímidos, ao contrário dos outros, consomem-se em pensamentos, têm uma teoria para tudo - este é também um mito que os tímidos alimentam para se sentirem um bocadinho melhor -, mas rezarão para a história como meros figurantes na fotografia, são os da mesa do canto, os que coram, os que desviam o olhar, os que não têm sentido de oportunidade na hora da palavra, os eternos não me lembro do nome. Calam-se, não escrevem, não concretizam. Mas todo o ser humano é um ser de palavras, é um ser que nasceu para dizer algo que mais ninguém poderá dizer. Por isso, de quando em vez, o tímido monta no curso do pensamento num pónei alado e abre as comportas das palavras com um facho que tudo ilumina. Conversa muito, até ao cansaço, brilham-lhe os olhos, escreve muito, até ao cansaço, brilham-lhe ainda mais os olhos, e curva-se sobre o teclado como raposa sobre cacho de uvas ou riacho fresco e um súbito sentimento de realização inunda-lhe as mãos, inunda-lhe a boca até naufragar de novo no silêncio, até se refugiar de novo no seu casaco invisível, na sua apatia de pato de borracha que a criança esquece no vórtice do banho. É uma merda ser tímida, meus queridos. Uma merda, vos digo. 


 Ana Salomé (daqui)

9.6.12









Lie thee down, The Middle East





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  De novo o mar que espero
sentada à janela que dá para as rosas.
Que dá para todas as ruas que passei
com os teus passos. Para a estrada
onde virámos a cabeça para não ver
o homem esvaído no chão.
Depois comemos na casa de um amigo,
bebemos e falámos como se a vida fosse eterna.
À volta a estrada estava limpa, sem sinais
de sangue. As luzes sobre o mar nas duas margens
e a tua mão na minha perna. Lá no céu
um homem esventrado procura as suas asas.
Nada sei de anjos. Eu que espero o mar todos os dias
acredito na rotação da terra e na lei da gravidade.
Mas quando chegas o corpo não tem peso
e as palavras voam em redor de nós
alagadas em suor. E vem o mar.


Rosa Alice Branco


1.6.12


o menino que continua a surpreender pela positiva 





I just started hating some people today, Beck