27.6.17






What if I die up here in this tree? he thinks. Will it serve me right? Why? Who will ever find me? And so what if they do? Oh look, another dead man. Big fucking deal. Common as dirt. Yeah, but this one's in a tree. So, who cares?

"I'm not just any dead man," he says out loud.

Of course not! Each one of us is unique! And every single dead person is dead in his or her own special way! Now, who wants to share about being dead, in our own special words? Jimmy, you seem eager to talk, so why don't you begin?

Oh torture. Is this purgatory, and if it is, why is it so much like the first grade?


in Oryx and Crake, Margaret Atwood
Imagem: Cig Harvey


26.6.17



hey, look out, here it comes
all things must pass
but not too fast



All things must pass, Jesus and Mary Chain


24.6.17


Ofício de amar 

 

já não necessito de ti
tenho a companhia nocturna dos animais e a peste
tenho o grão doente das cidades erguidas no princípio doutras galáxias, e o
remorso

um dia pressenti a música estelar das pedras, abandonei-me ao silêncio
é lentíssimo este amor progredindo com o bater do coração
não, não preciso mais de mim
possuo a doença dos espaços incomensuráveis
e os secretos poços dos nómadas

ascendo ao conhecimento pleno do meu deserto
deixei de estar disponível, perdoa-me
se cultivo regularmente a saudade do meu próprio corpo


Al Berto


22.6.17



if you get there, be honest, respectful

 


Imagining My Man, Aldous Harding


27.3.17



may spring be like


 


Silly Symphonies - The Goddess of Spring (La déesse du Printemps), Disney, 1934



15.1.17

CAOSMONÁUTICA





Raptada é a paisagem
pela demência do fungo
o vagaroso abrir
de um guarda-sol de fogo.

Na boca derretendo
o atómico medronho
da indormida carne
já a doença somos.

   Lá vai o Mariner IV
   com electrónicos remos
   se vivermos 7 meses
   Evoé Baco veremos
   fotografias de deuses!

Aqui já foi o bosque
o hálito das águas
aqui o avião
teve cornos e patas
aqui achou o homem
o seu lúcido espaço
aves o preencheram
e engendrando no osso
a flor dos cosmonautas
os poros lhe romperam.

   Lá vai o Mariner IV
   com electrónicos remos
   se vivermos 7 meses
   Evoé Baco veremos
   fotografias de deuses!

De em pedra nos volvermos
em dócil agonia
oh caçadores de estrelas!
é o cão que vos guia.


in O Vinho e a Lira, Natália Correia
Imagem: williamklenk  

11.1.17

Nada fornece qualquer garantia a ninguém. Existimos em suspensão. Há muitas maneira de respirar e deixar de respirar. Temos os nossos ritmos. É preciso viver e morrer com eles.




in Photomaton & Vox, Herberto Helder


3.1.17



you, or me.

amplified.





Girl Interrupted, James Mangold

2.1.17



science vs poetry



30.12.16

2017 motto



Her, Spike Jonze

29.12.16



MANOBRAS DE OUTONO




Não digo: isso foi ontem. Com insignificantes
trocos de Verão nos bolsos, estamos de novo deitados
sobre o joio do sarcasmo, nas manobras de Outono do tempo.
E a nós não nos é dada, como aos pássaros,
a retirada para o sul. À noite passam por nós
traineiras e gôndolas, e por vezes
atinge-me um estilhaço de mármore impregnado de sonho,
onde a beleza me torna vulnerável, nos olhos.

Leio nos jornais muitas notícias - do frio
e suas consequências, de imprudentes e mortos,
de exilados, assassinos e miríades
de blocos de gelo, mas pouca coisa que me dê prazer.
E porque havia de dar? Ao pedinte que vem ao meio-dia
fecho-lhe a porta na cara, porque há paz
e podemos evitar essas cenas, mas não
o triste cair das folhas à chuva.

Vamos viajar! Debaixo de ciprestes
ou de palmeiras ou nos laranjais, vamos
contemplar a preços reduzidos
inigualáveis pores-do-sol! Vamos esquecer
as cartas do dia de ontem, não respondidas!
O tempo faz milagres. Mas se chegar quando não nos convém,
com o bater da culpa - não estamos em casa.
Na cave do coração, desperto, encontro-me de novo
sobre o joio do sarcasmo, nas manobras de Outono do tempo.


O Tempo aprazado, Ingeborg Bachman
Imagem: autor desconhecido

4.8.16



queridos vizinhos de cima.

enough is enough. 




daqui a nada piro.






a conquista de cacela 


quero mais, mais, mais, mais e mais.
como quem nunca provou mel e quando prova...
mas no bom sentido.


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as praças fortes foram conquistadas
por seu poder e foram sitiadas
as cidades do mar pela riqueza
porém Cacela
foi desejada só pela beleza


Sophia de Mello Breyner Andresen