13.8.08



Hoje é um dia reservado ao veneno
e às pequeninas coisas
teias de aranha filigranas de cólera
restos de pulmão onde corre o marfim
é um dia perfeitamente para cães
alguém deu à manivela para nascer o sol
circular o mau hálito esta cinza nos olhos
alguém que não percebia nada de comércio
lançou no mercado esta ferrugem
hoje não é a mesma coisa
que um búzio para ouvir o coração
não é um dia no seu eixo
não é para pessoas
é um dia ao nível do verniz e dos punhais
e esta noite
uma cratera para boémios
não é uma pátria
não é esta noite que é uma pátria
é um dia a mais ou a menos na alma
como chumbo derretido na garganta
um peixe nos ouvidos
uma zona de lava
hoje é um dia de túneis e alçapões de luxo
com sirenes ao crepúsculo

a trezentos anos do amor a trezentos da morte
a outro dia como este do asfalto e do sangue
hoje não é um dia para fazer a barba
não é um dia para homens
não
é para palavras

António José Forte


Imagem: Red5cheese

4 comentários:

Ricardo Pulido Valente disse...

hmmm... poesia seleccionada...é coisa que me agrada.

faço a mesma coisa.


abraço!

menina tóxica disse...

:)))

as formigas disse...

gostei muito do teu espaço. concerteza virei aqui mais vezes.
parabéns.
cumprimentos das formigas.

menina tóxica disse...

obrigada formigas.
cumprimentos tentaculares ;)