Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
Elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
Respirei – ó vida simples problema de respiração
Oh as casas as casas as casas
Ruy Belo
Imagem: sexties
13.4.08
12.4.08
Give yourself up, make yourself sing, don't tell us that you can't. We need a sampling.
The Bird And The Bee, La la la
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i'm addicted
the bird and the bee, the bird and the bee, 2007
aqui e aqui
(como é que só descobri esta coisa linda agora?)
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9.4.08
Noite-Pétala
Posso estar aqui
eu posso estar aqui perfeitamente pobre
um círio me acendi espora aguda
o vento ritmo negro assassinou-o
posso estar aqui
- o musgo é lento como a sombra -
e sei de cor a voz cega das canções
(viola de silêncio acorda-me)
que eu posso estar aqui perfeitamente pedra
insone
e um longo segredo impessoal
bordando a minha solidão.
Luiza Neto Jorge
Imagem: psi xa
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8.4.08
eu quero ver o coeurs. mas está frio e chuva. aliás, ouvi dizer que o:
e o que me preocupa são as trovoadas. é uma chatice.
e a casa está um bocadinho para o desarrumada. acho que vou trocar o alain resnais pelas lides domésticas.
(polva em modo reclame air wick... qual oust qual quê)
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Guarda a manhã
Tudo o mais se pode tresmalhar
Porque tu és o meio da manhã
O ponto mais alto da luz
Em explosão
Daniel Faria
Imagem: Joana Linda
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I'm drifting in deep waters
Alone with my self doubting again
I try not to struggle this time
For I will weather the storm
I Gotta remember
Don't fight it
Even if I
Don't like it
Somehow turn me around
No matter how far I drift
Deep waters won't scare me tonight
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7.4.08
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5.4.08
Teatro
Na selva dos meus órgãos, sobre a qual foi desde sempre a pele o firmamento, ao coração coube o papel de rei da criação. Ignoro de que peça é todo este meu corpo a encenação perversa, onde se vê o sangue rebentar contra os rochedos. Do inferno, aonde às vezes o sol vai buscar as chamas, sobre ele impediosamente jorram os projectores.
Luís Miguel Nava
Imagem: petitescargot
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3.4.08
A boy with a coin he found in the weeds
With bullets and pages of trade magazines
Close to a car that flipped on the turn
When God left the ground to circle the world
A girl with a bird she found in the snow
Then flew up her gown and that’s how she knows
That God made her eyes for crying at birth
Then left the ground to circle the Earth
A boy with a coin he crammed in his jeans
Then making a wish he tossed in the sea
Walked to a town that all of us burn
When God left the ground to circle the world
Iron and Wine, A boy with a coin
Imagem: froststick
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Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.
Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.
Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo.
Cecília Meireles
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1.4.08
No ângulo das coisas visíveis
Suspende um instante a tua face:
Os ventos em flor abriram em segredo
Trazendo peixes e medusas aos teus dedos
E o mar cortado de silêncios outonais
Era preciso cantar a terra toda
Mas mais que tudo as praias e as florestas
Onde incessantemente se renovam
Desertos desumanos e desumanas festas.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Imagem: ptashka ptashka
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e finalmente, a 22 de julho:
whitest girl alive meets whitest boy alive (e o amigo)
ou
menina tóxica conhece o Criador.
(será que devo declarar bancarrota?)
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31.3.08
encontro mais lindo
Mazgani, Lay Down, vídeo de Joana Linda
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30.3.08
ontem foi noite de Turismo Infinito.
foi bonito.
infinito.
bonito.
ito ito ito ito ito ito ito ito ito ito ito ito ito ito ito ito ito ito ito...
ah pois.
(perdoem-me os devaneios, mas o polvo está a dar o tilt)
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ainda há pouco vimos um balão vermelho no ar, por cima do cinema batalha.
acho que era um sinal para ir ver O voo do balão vermelho.
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28.3.08
27.3.08
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26.3.08
25.3.08
as minhas apresentações são lindas porque o roxo e o amarelo combinam.
e ai de quem diga o contrário.
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(abrir a agenda e encontrar coisas lindas)
Ser a raíz das coisas
dentro na terra mergulhar
não por ser raíz
- prosápia dos tiranos -
mas curiosa
primordial volúpia
de conhecer
o que não se pode e é;
armar entre os trâmites da terra
- seca, fera e estéril -
uma sementeira próspera,
escolher um a um os grãos
que hão-de guiar os olhos,
vigias da alma
mais que olhos,
felizes arquivadas folhas
de servir
aos dedos impacientes
- mesmo deus tem dentro um deus profundo -
com que o poeta traça
o seu destino cego,
quando os dedos penetram,
rasgam, dentro da terra
enterram, e se enterram
talvez sonhando das coisas ser
a raiz,
a última razão.
António Mega Ferreira
Imagem: leftonthebed
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como transformar uma deadline numa super-deadline
(ligar a rtp mémória e encontrar estes dois. o finney big fish e a audrey)
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23.3.08
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There's some people that you just can't trust,
but some people just talk too much
Gossip
Os outros tratam-nos sempre bem quando estamos na merda.
Quando já não estamos, devem pensar: agora que se lixe, vamos lá descarregar em cima deles.
Isto só à porrada.
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22.3.08
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21.3.08
It might as well be spring
And then one morning
Another spring is there outside my door
Things are blooming
Birds are singing
And suddenly yes well I ain't sad
Ain't sad no more ain't sad no more
Nina Simone
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20.3.08
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
- Eu faço versos como quem morre.
Manuel Bandeira
Imagem: VelvetFuck
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17.3.08
Dietéticas
Todos os dias alimento uma paz pequena:
não é dar-lhe asas de voar,
mas comida verdadeira
Poucos sabem das suas preferências:
às vezes um pouco disto,
outras um pouco daquilo,
e a minha paz pequena vai crescendo
e engordando
Alimentando-a do que realmente gosta,
de quando em quando receio dispepsia,
que fique obesa e larga:
e urgentes as dietas
Para já, a proporção peso-largura
está correcta, mas temo pelo resto:
uma ruptura súbita, ou fome
desmedida que a conduza sozinha
a procurar comida,
tornando-a viciada e vulnerável
Muito gorda, sem eficácia nenhuma,
prevejo-a, anti-bulímia,
mas em bruma,
tão sartreanamente
irrecuperável
Ana Luísa Amaral
Imagem: RedFraction
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16.3.08
não consigo parar de comer pepitas de chocolate preto para uso culinário.
e diz lá: desenvolvidas especialmente para o microondas.
deveria dizer: desenvolvidas especialmente para a minha boca.
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12.3.08
9.3.08
Aprendi com as Primaveras a me deixar cortar para poder voltar sempre inteira.
Cecília Meireles
Imagem: szau
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estava uma polva aqui, feliz da vida, no quentinho da lareira a ver 'um longo domingo de noivado' na dois e de repente, a meio do filme (a meio!!!), iniciam a transmissão do programa 'a alma e a gente' e eu fico aqui de queixo descaído e de olhos arregalados a olhar para a tv a ver se aquilo aconteceu mesmo.
aconteceu.
polva sem ver o filme até ao fim.
polva muito chateada.
grrrrrrrrr.
(resta-me o senhor provedor)
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8.3.08
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1.3.08
de noite vê-se melhor a essência mineral do mundo. escutem.
carlos de oliveira
* palavras apanhadas no ar da dois, no sobre o lado esquerdo, de margarida gil
imagem: piratedollie
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