7.1.08



A Pantera


No Jardin des Plantes, Paris

Tornou-se tão cansado o seu olhar,
ao romper barras, que retém só nada.
Como se nesse olhar fossem mil barras
e, além de mil barras, nenhum mundo.

Passeia, branda, em passo intenso e leve,
movido em roda do mais curto círculo:
dança de força circulando um centro
onde, aturdida: uma vontade imensa.

Às vezes, a cortina da pupila
rasga-se no silêncio –. Entra então
uma imagem, que, em tensa calma, os membros
atravessa – e cessa em coração.

Rainer Maria Rilke
(tradução de Ana Luísa Amaral)

4.1.08

Na verdade, o senhor da ASAE na noite da passagem de ano estava a pensar em Álvaro de Campos:

depois de amanhã, sim, só depois de amanhã
levarei a manhã a pensar
em depois de amanhã
e assim será possível,
mas hoje não, hoje nada, hoje não posso...

e a ouvir na sua cabecinha Rádio Macau (e não alguma música brasileira típica da passagem de ano):

amanhã talvez seja a valer
hoje é a brincar

enquando fumava o seu cigarro maravilha.

2.1.08

Jens Lekman em entrevista à coquetel molotov:



Como você era no colégio e na faculdade?
No colégio eu era um sonhador, na faculdade todos os meus sonhos morreram.

O que você faz para se divertir?
Eu procuro desconhecidos na lista telefónica e lhes mando cartas de amor assinadas com nomes de outros desconhecidos.


(já alguém recebeu alguma carta do Jens?)

Os planos para o resto do ano... (a entrevista é de setembro de 2007)
Acabaram de me eleger o décimo quinto homem mais sexy da Suécia e isto não é fácil. Tenho que começar a me exercitar e praticar mais a minha voz sexy para deixa-la mais sexy ainda. Seria como uma flechada no coração se eu caísse para a décima sexta posição :) Além disso, eu tenho quatro álbuns novos em diferentes formatos para lançar até o final do ano. E depois eu vou beber uma garrafa inteira de champagne na virada do ano.

1.1.08

so, this is the new year.





so this is the new year.
and i don't feel any different.
the clanking of crystal
explosions off in the distance (in the distance).

so this is the new year
and i have no resolutions
for selfl assigned penance
for problems with easy solutions

so everybody put your best suit or dress on
let's make believe that we are wealthy for just this once

lighting firecrackers off on the front lawn
as thirty dialogues bleed into one

i wish the world was flat like the old days
then i could travel just by folding a map
no more airplanes, or speedtrains, or freeways
there'd be no distance that can hold us back.

there'd be no distance that could hold us back
there'd be no distance that could hold us back

so this is the new year
so this is the new year
so this is the new year
so this is the new year

death cab for cutie, the new year, transatlanticism (2003)

30.12.07

as minhas vestes para a festarola.



a festarola.





all night disco party
it's an all night disco party
all night disco party
a super non-stop uber-rocking disco party
all night disco party
it's an all night disco party
all night disco party
a super non-stop uber-rocking disco party

east west
north south
left right
croque monsieur, croque madam
east west
north south
left right
croque monsieur, croque madam

brakes, all night disco party

bom 2008.


(imagens: aya takano)

previsões para o pós-festarola.



imagem: iidiosyncratic

29.12.07

ressaca natalícia


Inês Pedrosa, na Única deste fim-de-semana sobre a "Breve História do Futuro" de Jacques Attali:

"(...) O curto capítulo final sobre Portugal é, a esse respeito, devastador: demonstra-nos porque razão o nosso país, tendo tudo na mão, perdeu a oportunidade de se tornar, no século XVI, a potência dominante da Europa. Attali aponta três razões, mas a palavra-chave de todas elas é «imobilismo». E sublinha que «o país nunca conseguiu formar, promover nem acolher uma classe criativa», ou seja, gente com engenho, arte e iniciativa, preferindo encher-se de «teólogos, militares, senhores feudais, artistas comanditados pelo poder, e administradores (...)». Isto no século XVI. Pois."


pois é. no século XVI sim...

ele há prendas mais lindas




27.12.07

silver white winters that melt into springs





imagem: zemotion



passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.

eugénio de andrade

imagem: gabriell332

25.12.07

f i m



(do natal. um fim à josé duarte.)

23.12.07

natal II *



21.12.07

vou apanhar o pai natal
(vamos lá ver se ele vai trazer tudo direitinho)
bom natal ;) *




Imagem: Claudio Naboni

20.12.07

Poema para habitar



A casa desabitada que nós somos
pede que a venham habitar,
que lhe abram as portas e as janelas
e deixem passear o vento pelos corredores.
Que lhe limpem
os vidros da alma
e ponham a flutuar as cortinas do sangue
– até que uma aurora simples nos visite
com o seu corpo de sol desgrenhado e quente.
Até
que uma flor de incêndio rompa
o solo das lágrimas carbonizadas e férteis.
Até que as palavras de pedra que arrancamos da língua
sejam aproveitadas para apedrejarmos a morte.


Albano Martins
Imagem: tazmo

19.12.07

as quartas-feiras são mesmo bonitas *

18.12.07

i am milk



17.12.07

Stay with me, hanging around in the lost and found.



Imagem: Christopher Winter

pure white snow


is anybody
out there please?
it's too quiet in here
and I'm beginning to freeze
i've got icicles hanging
from my knees
under fifteen feet of pure white snow

16.12.07



13.12.07

para ti, menina

le noël de la rue

11.12.07

The gene that makes us once bitten, twice shy

A single mutation helps to determine whether we repeat our mistakes.

Most people tend to learn from their mistakes and avoid making the same blunder twice. Now research reveals a genetic mutation that helps to determine the extent to which certain people are doomed to repeat history.


Ewen Callaway (Nature)

Boa desculpa, não? Agora a culpa é do gene.

10.12.07

boa segunda-feira *




imagem: pablo lacruz

Memória da neve



Às vezes o Inverno muda de parecer
e começa a nevar,
neva espessamente, em desespero, como se temesse
não viver até o dia de amanhã.
Nestes casos é melhor desligar o telefone, a campaínha da porta,
pôr vinho a ferver em cima do fogão,
folhear cartas antigas
e olhar para trás, também, para a minha vida,
como se ela não tivesse acontecido.
Como se não me tivesse olhado o canhão, nem olhos lascivos,
como mão surradas, não se tivessem alongado pela minha mão;
e tudo que fosse polkítica, amor, dobre de sinos,
me esperasse de novo num horizonte de oceano.
Nestes casos o melhor é imaginar
que ainda posso chorar pela minha cabeça perdida,
o vento atrai os lilases para cima
de camas, meios-corpos e almofadas desgrenhadas,
e no juízo final terrestre
posso estar de pé ao lado de bons companheiros
em camisa macia e casaco leve
além de fumo, tascas, cemitérios,
fixando o olhar nos olhos dum país a perverter-se
sublimemente,
na minha cabeça há memória de neve,
neve, neve como se o reboco duma catedral
tombasse silenciosamente.

Sandor Csoóri

Imagem: Snjezana Josipovic

(coisa bonita surrupiada no Poesia & LDA)

9.12.07

a única coisa que salvou a noite de ontem foi o nevoeiro, a chuva miudinha (que me deixou a ver o porto às bolinhas) e a fuga da arte pelo caminho (sem faróis de nevoeiro).




(depois fiquei com saudades do galinhas no horizonte.
e também, dessa noite, restou um desejo incontrolável de fazer explodir a estúpida árvore de natal nos aliados. mas isso é outra história.)

7.12.07

lindo lindo, é postar uma música e depois chegar aqui, à caixinha de música, e encontrá-la direitinha para trazer para casa.
hoje para mim também é natal.
porque sim.





oh my heart i
would clap and dance in place
with my friends i have so
much pleasure to embrace

but my heart is
returned to sister winter
but my heart is
as cold as ice

sufjan stevens, sister winter, songs for christmas (2006)
imagem: plasticmargot

6.12.07

Sombras rosas sombras



Debaixo de um céu estrangeiro
sombras rosas
sombras
por sobre terra estrangeira
entre rosas e sombras
dentro de uma água estrangeira
minha sombra


Ingeborg Bachman
Imagem: monis

5.12.07



christopher winter (aqui)

4.12.07



I am a deeply superficial person.

Andy Warhol

estarei a ficar louca,
ou estas duas pérolas são mesmo um pouco parecidas?






Feist, I feel it all


Kevin Drew, Safety bricks


(vou chamar a Joana casamenteira para casar os meninos)

2.12.07



As mãos pressentem a leveza rubra do lume
repetem gestos semelhantes a corolas de flores
voos de pássaro ferido no marulho da alba
ou ficam assim azuis
queimadas pela secular idade desta luz
encalhada como um barco nos confins do olhar

ergues de novo as cansadas e sábias mãos
tocas o vazio de muitos dias sem desejo e
o amargor húmido das noites e tanta ignorância
tanto ouro sonhado sobre a pele tanta treva
quase nada

Al Berto

Imagem: spokojnysen



my hand is wrapped in toilet paper
and my shirts all blood red
i see you standing there like an angel
and i say baby i must be dead
you put your arms around me

jens lekman, your arms around me, (night falls over kortedala, 2007)

1.12.07

havoc in heaven, jesca hoop




28.11.07

ouvir estas coisas pelo telefone devia ser proibído.



we're going through the changes
hoping for a replacement
until we find a way out of this
a way out of this hole

27.11.07

já não vou ver o josh lindo. snifs snifs ;(
alguém que o peça em casamento por mim, sim?

26.11.07

navio de espelhos

25.11.07

i love you, would you marry me?



24.11.07

oh james







tattoo: sign of an old secret order of female bandits and smugglers

(xiiiiii ele descobriu)

ó joana, é este?



mas queres umas coxas esqueléticas? queres levar uma porrada mas é.
pois eu exijo umas meias pretas opacas. ora bem, e qual será o mal em olharem para as tuas pernas? mau sinal seria se não olhassem. manda-os às urtigas. e já agora manda a burka também. se tivesses oito anos, não havia nobel para ninguém. e depois como recusá-lo?
e não abandones as queijadas e os chocolates. ai de ti.

será assim que a joana recusará o nobel da literatura.
e dirá: não, não quero essa bodega para nada.


(tóxica hepburn. diz a joana. :D)

22.11.07



oh. pobre beck. esperou por mim para jantar e tudo.
quanta gentileza.

que rica combinação de músicas:

souljacker, eels




jackass, beck



a rum a oferecer coisas boas para viagens no trânsito (horríveis).

21.11.07

diz o ivan. que o pai natal tem blog:

Santa Claus Blog

ora vamos lá chatear o senhor.





lista de prendas para o pai natal

1 gira-discos
2 pack(s) do françois truffaut
3 umas botas lindas (because i've been drifting along in the same stale shoes...)
4 um vestido a combinar
5 o amante, marguerite duras (eu fartei-me de o procurar, não encontrei.
o pai natal que trabalhe se faz favor)

(que o pai natal seja o da vodafone)

fim de lista.



será que o pai natal tem blog?

come on, take it, take another little piece of my heart.





Imagem: Ben Lawson

we both know it's going to be another long winter

the kind that freezes shut the doors of early spring
but i'll still let you in
when i hear you knocking, with a whisper
i'll open the doors and i'll let you in




depressing things are empty beds and lonely dinners
and women who are middle aged with naked fingers
i'll buy myself a ring
to symbolize this marriage every time i break the locks to let you in



cause nothing's worse than seeing you worse than me
and nothing hurts like seeing you hurt like me
the consequence is less than the happiness you bring to me
there's more to give than what you take from me


believe in the things that you know
believe in the things that you know


sunshine, throw a starving man a piece of bread

all i said, i didn't mean
the chill is strong and nothing seems
to thaw the icy sentiment
of love that's gone once winter's spent



para a menina (mana) mais linda, que diz que vai ter um blog lindo em breve.
sou mesmo má de aturar às vezes, não? e ranhosa e tudo.


Imagens: girltripped

20.11.07



quem é que sabe apenas com 2 dias de antecedência (porque não consulta a devida caixa de correio com regularidade) que tem de escolher um artigo e apresentá-lo, e não tem os artigos? e não os consegue descarregar de forma alguma? e não quer fazer 140 km para os arranjar? quem? quem é que é assim descarpada da vida? só eu? não pode ser. deve haver mais gente assim por aí. anyone?


imagem: the singing nun

19.11.07



18.11.07



sons and daughters, gilt complex

16.11.07




Preciso de um nível alto de açucar no sangue para me impedir de me afundar nas minhas preocupações quotidianas com a mortalidade.


Woody Allen (Cantem, Sachertorten, Pura Anarquia, 2007)

13.11.07

Regresso ao lar



Chegas - se é que se pode chamar
regresso ao gesto anónimo
e vacilante com que vais deixando
para trás a madeira suja dos degraus.

Nunca saberás se te trouxe
um táxi, que música te roubou
- ou se a falta de dinheiro
te fez apanhar o último autocarro.

Sabes apenas que encontraste
as chaves e que não despiste
a roupa onde volta a ser teu o corpo.
Mas é-te impossível recordar
os rostos, o que disseram ou calaram,
o preço pago por tanto esquecimento.

Foi uma noite banal, portanto.
Nem amor nem sexo - apenas
a perfídia de seres tu, o espanto
com que ao fim da tarde acordas
e percebes que o mundo
não teve o bom senso de acabar.

Por isso sais - ou foges (vai dar
ao mesmo) quando os vizinhos
regressam de mais um dia proveitoso,
dedicado à mecânica reprodução
do horror, da velhice e das taxas de juro.
Eles e tu movidos pela mesma nenhuma razão.

Não há, de facto, diferença.
Ou cedo deixará de haver
e é como se nunca tivesse havido.
Os primeiros dentes de um filho
deixam-nos certamente tão felizes
como o tango que acompanha agora
estes versos escritos quase à hora de acordarem.

O desespero tudo permite, tornando
equivalentes o livro que acabaste de fechar
e as infindáveis telenovelas com que
premeiam o cansaço e garantem o sono.
Adormecendo eles e tu, apesar da diferença
horária, sobre a imagem nula daquilo
a que insistimos em chamar "amor".

Talvez amor. Não sabes. Desces
de novo os mesmos degraus,
fugindo da bonança que não há
e do irremediável flagelo dos teus passos.
Pouco tens a dizer desse
desencontro, da noite fria que te espera.

Acreditas, uma vez mais, na morte.

Manuel de Freitas (Blues for Mary Jane, 2004)

Imagem: szau

panda riot (i had a dream i was a secret spy)





i had a dream
i was a secret spy.
i was standing on the balcony and
this door just walked right up to me
and i went through.
on the other side, all i could see
were a thousand plateaus
of nothing but trees.

i just want something new.

hours and hours
and hours
and hours
i walked alone
but i'm still in the same place i was.

i can reach the world today.
i know i gotta go,
but i don't know how to leave.
and i don't know how
to touch you.

i'm sad and saturated, soft
blurry mountain
sides and
sometimes with you by my side...

mais músicas aqui e aqui.

12.11.07

para um monday smile





imagem: bittersea

10.11.07


a ideia de começar ou acabar algo é uma das coisas mais assustadoras do mundo.

kevin drew

(mais um que sabe umas coisas)
Imagem: ZephaniaOZ

a china e os jogos olímpicos









para que todos vejam o que se joga na china:


amnistia internacional